sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Empresário faz sucesso com chopeira que enche 56 copos em 1 minuto

Máquina inventada por americano está virando sensação no mundo cervejeiro

Uma espécie de chopeira que enche os copos pelo fundo - em poucos segundos - virou sucesso no YouTube, chegou ao livro dos recordes e está se tornando a sensação do mercado cervejeiro. Inventada pelo empresário Josh Springer, 28 anos, da cidade de Montesano, em Washington, nos Estados Unidos, a chopeira “mágica” é capaz de encher 56 copos de cerveja em apenas um minuto. Um vídeo mostrando o produto em funcionamento recebeu mais de 3 milhões de visualizações no YouTube. A façanha atingida por Springer já consta do site do Guinness.

Chamada de "Bottoms Up Draft Beer Dispensers", a tecnologia conta com um ímã circular no fundo do copo de plástico. Sob a pressão do barril de cerveja, o ímã se levanta para permitir a entrada da bebida. Com o peso do líquido no copo, o ímã volta ao lugar, permitindo que o copo cheio seja retirado sem vazar. Com esse sistema, é possível conseguir menor desperdício de cerveja e menos espuma, já que o copo é enchido rapidamente e sem mexer muito.

Springer, fundador da empresa GrinOn, conta que, depois de milhões de visualizações do vídeo da chopeira no Youtube, sua empresa começou a receber imensa procura pelo produto. A máquina já está presente em diversos locais dos Estados Unidos, inclusive em estádios de futebol americano. Para fazer com que o preço do copo, naturalmente mais caro por causa da tecnologia com o ímã, não chegue ao cliente, a empresa colocou em curso uma campanha para atrair marcas que desejem anunciar nos ímãs.

O jovem empresário diz estar entusiasmado com os rumos da empresa. Springer tem planos para começar a vender o produto em outros países e afirma que é procurado por estabelecimentos do Brasil mais do que por qualquer outro lugar do mundo.

Confira como a chopeira funciona no vídeo abaixo (em inglês).


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Pô!

Mônica Othero (a partir do Insustentável Sustentabilidade)


Vamos buscar os hippies dos anos 60?

Essa "parada" é o seguinte: primeiro desenvolveram hábitos, vícios, prazer em adquirir e consumir, ostentar. Trocaram o ser pelo ter.

Depois somos consumidos?

Seja pelo ar, água, terra fogo ou cartão de crédito?

Pelo próprio semelhante?

Orientados com mudanças homeopáticas? Menino bonzinho, consciente, preocupado em salvar o planeta?

Nunca mais serei "goiaba" desde o dia que vi no cargo de presidente do PV daqui um agropecuarista do setor de milho, soja e porcos...

Marina fez igual se faz com criança quando você dá um pirulito, para depois recolher dizendo que estraga os dentes.

Este ano o Brasil concorre no Oscar 2011 com documentário Lixão Extraordinário.Você não sabe se será analisado o trabalho do artista plástico Vik Muniz com os catadores do lixão do Jardim Gramacho (RJ) ou a vida dos catadores do lixão? Basta ver o Roberto bem perto de nós!

Podemos sim questionar, provocar, inquietar, falar pelos corredores, mas, está tudo programado para o fim dessa sociedade!

E surgimento de outra.

Quem viver verá!

A insustentabilidade por argumentos insustentáveis

Que fique registrado, esclarecido, posto desde o início: acho a louváveis a postura crítica, a iniciativa, a virulência. Mas discordo do texto em muitos pontos e, por muitos motivos, acho que os argumentos apresentados são insustentáveis e, no limite, prestam um desserviço à sustentabilidade. Para começo de conversa, não dá para misturar SWU, Marina, Responsabilidade Social Privada e Investimento Social, tudo como sendo farinho do mesmo saco...

Mas como disse, pelo que acho louvável, republico aqui o que saiu primeiro no Marjorie Rodrigues

Insustentável Sustentabilidade

Ano passado, fui a um evento em que várias bandas nacionais e internacionais se apresentaram numa fazenda no interior de São Paulo. Para assistir aos shows, era necessário comprar um ingresso que custava, se não me falha a memória, trezentos reais. Isso para ficar a vários metros de distância dos palcos. Quem quisesse ver as apresentações de perto, num cercadinho chamado de área VIP, teria de pagar o dobro. É mais do que o atual salário mínimo brasileiro, de R$510. Lá dentro, a água custava 6 reais, a cerveja uns oito. O evento foi patrocinado por quatro empresas: duas multinacionais do ramo de bebidas, uma multinacional do ramo de alimentos e uma nacional do setor de telefonia.

Tem toda a cara de um festival de música como outro qualquer, voltado para consumidores de classe média/alta, certo? Errado. Segundo os organizadores e os patrocinadores, o que estava acontecendo não era um show, bobinho, era um movimento social pela conscientização ambiental, chamado “starts with you” (começa com você). Oi? Movimento social. Tipo o feminista, o negro, o indígena e o sem-terra, sabe? Mesma coisa.

Uma das multinacionais do setor de bebidas que patrocinaram o evento foi multada em 47 milhões de dólares por poluir lençóis freáticos na Índia. Ela produz uma bebida com 18 colheres de açúcar a cada dois litros. Apenas uma de suas usinas de engarrafamento no Brasil é capaz de produzir 27 mil garrafas por hora. Outra das patrocinadoras engarrafa milhões de litros de água mineral, mesmo que muitos governos locais já tratem a água e a ofereçam gratuitamente aos cidadãos (e sem garrafa). Para competir com a água tratada e gratuita nos países onde ela é disponível, a propaganda classifica a água engarrafada como “mais confiável”, o que nem sempre é verdade.

Entretanto, nos telões do festival, ambas as empresas alardeavam sua preocupação em manter operações sustentáveis, na medida em que reciclam e/ou reutilizam parte das garrafas PET desnecessárias que produzem. A mensagem era clara: “já estamos fazendo a nossa parte, agora faça você a sua. Starts with you! Feche a torneira ao escovar os dentes, desligue os aparelhos eletrônicos da tomada quando sair de casa e seja um consumidor consciente”. E, com “consumidor consciente”, lá vem a mensagem subliminar: “ao comprar um refrigerante de uma empresa responsável como a nossa, você está ajudando o planeta. Não compre dos outros, compre da gente!”.

Nesta semana, em São Paulo, a maior editora de revistas do Brasil promove, pelo quarto ano consecutivo, um evento de sustentabilidade. A mensagem é a mesma do SWU: feche a torneira, faça xixi durante o banho, use os dois lados da folha sulfite, apague a luz. Decorando o evento, esculturas de papelão feitas com as bobinas que envolvem os rolos de papel utilizados na fabricação das revistas. E aí as pessoas vão passeando por ali e pensando “uau, que legal! Um material que normalmente seria jogado fora serviu para produzir algo belo!”. E eis que a editora de revistas se sai como uma puta empresa bacana. Mas ninguém pára para pensar, afinal, para quê todas aquelas bobinas de papel sequer foram produzidas. Ninguém se faz aquela perguntinha do Caetano: quem lê tanta notícia? A humanidade precisa mesmo de tanta revista? Pra quê tanto papel para falar dez mil vezes a mesma coisa? Não parece um contrassenso pagar de gatinho da sustentabilidade reciclando e reutilizando toneladas de papel que foram usados, principalmente, para estimular o consumo? Afinal, hábitos de consumo são a principal coisa vendida por esse tipo de veículo em particular, a revista.

Citei esses dois exemplos, mas poderia citar outros vários. Cada vez mais empresas, de todos os ramos do mercado, têm se apropriado do discurso da sustentabilidade ou patrocinado eventos de “conscientização”. E isso não é à toa. Nada mais insustentável do que o discurso da sustentabilidade. Trata-se de um discurso deliberado de alienação, que foca a resolução da questão ambiental sobre as nossas pequenas ações cotidianas e não sobre a raiz a ser extirpada: o modelo de produção e consumo vigente. É claro que nossas pequenas ações cotidianas têm sim seu peso (ninguém está dizendo que fechar a torneira enquanto escovamos os dentes é uma coisa ruim), mas vamos combinar: não somos nós que jogamos milhões de litros de óleo no Golfo do México. Não somos nós que poluímos ar e água com substâncias cancerígenas. Não somos nós os responsáveis por socar partículas de sacolinhas e garrafas PET no bucho dos animais marinhos. Então, não é à toa que tantas empresas que nunca deram a mínima para o meio-ambiente de repente tenham virado sustentáveis desde criancinha. Não é à toa que o nome do tal festival, ou melhor, do “movimento social”, é starts with you. Começa aí com você, seu trouxa. Afinal, enquanto a gente fica aqui criando consciência, as grandes empresas, responsáveis pelo grosso do problema, ganham tempo. Adia-se mais um pouco o debate sobre a sociedade de consumo que construímos.

Outro problema desse discurso da sustentabilidade, tão em voga, tão na moda, é que ele nos convida a ser benevolentes com o planeta, quase como se estivéssemos lhe fazendo um favor: “salve a planeta! Salve os ursos polares! Salve as florestas!”. Meu filho, a questão é salvar a nós mesmos. É o nosso que tá na reta. O planeta se vira sem a gente. Se isso aqui virar tudo uma grande sauna inabitável, o planeta continua existindo. Numa boa. Como todos os outros planetas inabitáveis universo afora. Não é a Terra que vai se foder (pode palavrão aqui, Idelber?), é você. Você.

O terceiro (e, muito provavelmente, não o último) problema desse discurso é que ele limita a nossa esfera de ação ao consumo. O único poder das pessoas de salvar o planeta (e não a si mesmas) é enquanto consumidoras, nunca enquanto cidadãs, nunca através do fazer político. Enfiamo-nos nessa enrascada consumindo e consumindo sairemos dela. É apenas uma questão de mudar o jeito como se consome, tornando-se um consumidor “responsável”. Mas o que é ser um consumidor responsável? Ora, é consumir na mesma quantidade e das mesmas empresas de sempre (como as patrocinadoras do SWU…), só que com a consciência tranquila porque as empresas estão reciclando uma coisinha aqui e ali, utilizando circuito fechado de água numa fábrica aqui, noutra ali. Ah, e enquanto você consome uma coisa e outra, apague a luz.

Mas devo chamar atenção para uma coisinha mais. É que muitas empresas inserem o pilar social no seu conceito de sustentabilidade. E aí, a meu ver, mora um grande, gigantesco perigo. Através de fundações e institutos associados ao terceiro setor, empresas privadas querem substituir o Estado, tomando para si atividades que devem ser de responsabilidade dele (como educação, saúde, combate à pobreza, etc). Ou então, sequestram o rótulo de sociedade civil e passam a dizer ao Estado quais são as necessidades das comunidades, o que deve ser feito e como. Essa do SWU assumir o rótulo de “movimento social”, por mais ridículo que pareça, é uma coisa que as fundações e institutos, associados ao terceiro setor, já têm feito há tempos. Aí, o próprio Estado passa a dar dinheiro a empresas privadas, para que o capital se encarregue de dar um tapa nas desigualdades que ele mesmo gera.

Por isso, desconfio de toda e qualquer empresa que vem com discurso sustentável para cima de moi. Não votei em Marina, por mais que simpatize com vários aspectos de sua biografia e atuação política, justamente por causa disso. Pode me chamar de comunista barbuda, mas a solução dos problemas gerados pelo capital não virá pelas mãos do próprio capital. Há uma óbvia incompatibilidade de interesses. A mobilização, querido, realmente starts with you: não são as empresas que têm de criar consciência na gente. É a gente que tem de criar consciência, coletivamente, sem mediação privada alguma. É a gente que tem de questionar o modo como se vive, a maneira como as coisas são produzidas e, a partir daí, peitar as empresas.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Comercialização conjunta beneficia produtores familiares

Polo de Excelência do Café

A Associação dos Agricultores Familiares de Santo Antônio do Amparo (AAFSAA) comemora a venda de um lote de 180 sacas de cafés provenientes de oito propriedades, diretamente para uma importadora americana. A comercialização, de maneira inédita, revela uma série de conquistas, além de um ágio em torno de R$ 100,00 por saca. Reforça, sobretudo, a ideia de que a união dos produtores familiares é uma alternativa para a ampliação da qualidade do produto, para formação de lotes unificados e para o escoamento da safra de forma mais ordenada. A criação da Associação foi incentiva pelo Projeto Força Café, da Fundação Hanns Neumann Stiftung do Brasil.

Na coordenação de quatro projetos que visam à inclusão da agricultura familiar no mercado de café diferenciado (apoio financeiro CNPq), a pesquisadora da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), Sara Maria Chalfoun de Souza, está otimista. Em sua avaliação, a informação foi o fator fundamental que garantiu um produto diferenciado, com redução dos custos de produção e a abertura de um novo mercado.

À espera da construção de uma unidade comunitária de processamento do café, o salto de qualidade do produto final foi significativo apenas com a adoção de práticas de colheita e pós-colheita sugeridas pelas pesquisas. Na primeira análise sensorial realizada no lote total, alguns apresentavam bebida dura e outros apenas mole. Com a uniformização do café em apenas dois lotes, foi possível a formação de 180 sacas de café fino, que atingiu 84 pontos na escala da Specialty Coffee Association of América (SCAA), atraindo a atenção de um comprador americano. A negociação teve o apoio da exportadora Sancoffee, sediada em Santo Antonio do Amparo.

A diferença na comercialização desta safra foi que o produtor pode driblar as barreiras do segmento familiar, sobretudo, no que tange à baixa escala de produção e a falta de informação técnica e comercial. Historicamente, estes produtores vendiam a produção para intermediários, antes mesmo do beneficiamento, sem agregar valor ao produto. Na última safra, o apoio da pesquisa surtiu efeito desde o manejo da lavoura, com o monitoramento de pragas e doenças, que minimizou o uso de defensivos e resultou na redução de custos de produção.No período pós-colheita, os produtores tiveram a ajuda de novos lavadores (adquiridos pelo projeto) e foram orientados a separarem os grãos de café para a secagem mais adequada a cada tipo. Depois, o café foi levado para uma das fazendas, onde foi realizado o beneficiamento visando à venda conjunta. De acordo com Sara Chalfoun, este foi apenas um piloto, para serem avaliados os benefícios e os desafios da venda conjunta. Para a próxima safra, a pesquisadora anuncia a possibilidade de lotes maiores, com contêineres fechados de produção 100% familiar, o que deverá atrair ainda mais a atenção dos compradores.

Além do resultado positivo da comercialização conjunta e da adoção de tecnologias de baixo custo de processamento, os demais projetos em andamento prevêem ganhos complementares. A Associação está se organizando para a certificação no comércio justo (Fair Trade), o que vai abrir um novo canal de comercialização com benefícios para toda a comunidade. Recém aprovado, a Associação também será contemplada com a validação de um modelo de gestão participativa e inclusão digital dos cafeicultores familiares.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Café: Alta de preços incentiva plantio no Cerrado Mineiro

CNC

Os bons preços do café nos últimos meses estão incentivando o plantio de novas lavouras em Minas Gerais. Na região de Patrocínio faltam mudas para atender a demanda.
O preço do café em alta no mercado está motivando produtores a aumentar a área de cultivo em Minas Gerais. É o caso do agricultor Eustáquio de Souza. Ele tem uma propriedade no município de Patrocínio, região do cerrado mineiro. O produtor tem 124 mil pés de café cultivados e agora vai plantar mais 31 mil pés. A área era ocupada pela plantação de milho. “Estou completando 40 hectares, é o restante da área. Não planto mais, porque não tenho mais área. É um período muito bom e torço para que continue assim”, comentou.

Para não correr risco com o investimento, o agricultor procurou a orientação de um agrônomo para garantir o bom crescimento da plantação. “O café como uma cultura perene, a gente tem que trabalhar muito na adubação de base, onde é feito uma correção com calcário, depois a fosfatagem, gessagem, se for o caso, e também a adubação no sulco, no local onde vai colocar a planta”, explicou Luis Antonio da Silva.

O reflexo da movimentação para a abertura de novas áreas de café pode ser percebido em um viveiro de mudas. Dona Márcia Eller conta que a produção de dois milhões de mudas de café já foi toda vendida e a toda hora tem compradores procurando pelo produto.

“O senhor está precisando de quantas, 20 mil? Para pronta entrega eu não tenho, acabou mesmo. Essa quantidade eu não tenho, consigo menos quantidade, mas para daqui uns dias”, explicou dona Márcia ao telefone.

Os bons ventos que agora sopram a favor da cafeicultura, motivam até quem antes era empregado, a se tornar dono do próprio negócio.

Por conta desse bom momento do café, seu Sebastião Rodrigues, que há 25 anos trabalhou como gerente de fazenda, decidiu que agora chegou a vez dele de se tornar produtor e está plantando 53 hectares de café. “É um bom momento. Nós esperamos que continue este preço ou pelo menos um preço que compense no mercado. Não tenho medo, não. Café sempre teve altos e baixos, às vezes tem um ano ou dois ruins e depois equilibra de novo” disse o novo produtor.

Cafés do Brasil batem recorde mundial no leilão do Cup of Excellence 2010

BSCA

- O volume de US$ 738.506,40 na comercialização total do pregão é recorde mundial na história dos leilões do Cup of Excellence.

- A cotação média de US$ 8,32 por libra peso é recorde nacional nos 11 anos de história dos leilões do Cup of Excellence no Brasil.

- Maior lance foi de US$ 25,05 por libra peso, aferindo alta superior a 964% frente ao fechamento do dia na Bolsa de Nova Iorque.

- Entre os compradores, destaque para participação maciça de japoneses e australianos, além de presença efetiva dos brasileiros.

Veja a notícia completa aqui.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Publicado novo edital do Fundo Estadual de Cultura

Secretaria Estadual de Cultura

A Secretaria de Estado de Cultura - SEC, por meio da Superintendência de Fomento e Incentivo à Cultura e da Diretoria do Fundo Estadual de Cultura, lança a quinta edição do Fundo Estadual de Cultura, mecanismo de fomento, apresentando algumas mudanças que visam aprimorar suas ações, como a análise de projetos apresentados por entidades que não necessariamente tenham caráter prioritariamente cultural, mas que tenham nos projetos objetivos estritamente artístico-culturais.

Leia a notícia completa aqui.

Fundo Estadual de Cultura recebe inscrições até 8/2

Secretaria Estadual de Cultura

O Fundo Estadual de Cultura (FEC) é instrumento de apoio, a ser somado à Lei Estadual de Incentivo à Cultura e a outros mecanismos de financiamento existentes em Minas.

Ele destina-se àqueles projetos que, tradicionalmente, encontram maiores dificuldades de captação de recursos no mercado. O seu objetivo é o de estimular o desenvolvimento cultural nas diversas regiões do Estado, com foco prioritário para o interior.

Desde a criação, em 2006, já foram liberados mais de R$ 28 milhões para 397 projetos, através da modalidade Liberação de Recursos não-Reembolsáveis, em 177 cidades mineiras.

Inscrições
O edital 2010 do Fundo Estadual de Cultura (FEC) já está com as inscrições abertas. O prazo para apresentação de projetos pela modalidade “Liberação de Recursos Não Reembolsáveis” vai até 08 de fevereiro de 2011. Já para o “Financiamento Reembolsável”, as inscrições podem ser feitas entre os dias 1º e 10 de cada mês, até a publicação do próximo edital, em 2011. A quinta edição deste mecanismo de fomento da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais apresenta algumas mudanças que visam à aprimoração de suas ações, como alterações expressivas em seus instrumentos legais. Assim, a entidade que não tiver no Estatuto, Contrato Social ou Contrato Consolidado o caráter prioritariamente cultural poderá apresentar projetos, desde que os objetivos e as ações propostas sejam estritamente artístico-culturais.

Informações
Informações sobre o Fundo Estadual de Cultura podem ser solicitadas pelos telefones (31) 3915-2647/ 3915-2719 / (31) 3915-2720 ou pelo e-mail fec@cultura.mg.gov.br.

Quero morrer boba, no lugar de iludida

Mônica Othero Nunes

Percorri alguns quilômetros ali para o lado de Tejuco, Mata da Bananeira, Salitre. Olhei a beleza daquele lugar, o vento puro, a natureza ainda está em alguns lugares como Deus criou. Afaguei a terra, em silêncio reverenciei todos os seres vivos. Neste instante um pássaro preto mais curioso me espiou. Parecendo me perguntar:


- O que você tá fazendo aqui menina da cidade grande? - Não tive resposta para aquele olhar que ao encontrar com o meu traduziu:

- Despede-te deste lugar! Em breve não será o mesmo.

Aí o coração se apertou, como a sufocar. Que tristeza danada!

Tudo isso vai embora, em troca de alguns milhões? Em troca da ilusão financeira do progresso, do impulso econômico, da necessidade atual de gerar divisa, emprego! De plantar para alimentar ou plantar e armazenar dinheiro? Tudo isso vai ser transformado, mesmo que alguns poucos não queiram e tantos outros nem imaginam o que seja o valor aplicado e recolhido em reai$? E nós que nem queremos imaginar tanta mudança buscamos uma esperança que exista um estudo ambiental sério para que além do valor da riqueza, exista o valor da vida.

Espio devagar esse lugar. Pode ser que ao voltar daqui alguns anos nem pássaro preto eu encontre mais. Que animal vai conseguir se adaptar com tantas mudanças ambientais? Vai ter sim um local destinado para Reserva Legal. Escolhido nome de alguém para homenagear. Mas, lugar demarcado não é natureza livre por si só que vai resistindo até que fique em fotos, catálogos, livros científicos para estudos futuros. Pode ser que eu encontre no lugar um vai e vem de veículos, de pessoas... Pode ser que sinta o ar carregado, observe as casas próximas com portas e janelas trancadas “prá poeira não cobrir tudo". Pode ser que alguém diga: "dinheiro aqui não é problema, o problema é a violência, as doenças respiratórias, a falta d’água." Como o bicho homem vai se adaptar a esse “progre$$o”? Demandas serão escolhidas. As demandas vão superar as ofertas? Como vai ficar a vida dessas comunidades rurais?

Sinto-me uma guardiã em conflito entre dois estados distintos: natureza e economia. Quantas dádivas recebemos da terra? Atravessamos anos e anos na luta diária extraindo, comercializando, adquirindo. Mas, em se tratando da natureza a palavra é compartilhar. Quantas reuniões acontecerão para concluir que toda essa região tem um valor muito maior do que cifrões? Ninguém se atreve a dizer que não vai haver impacto. Pelo contrário até convidam para estudar esses impactos na vida de cada um. Mas, tenho a impressão que é conversa programada para seguir etapas pré-definidas, exigências governamentais. Se a questão fica só de um lado, passa a ser unilateral, que atende apenas alguns interesses.

O entendimento pode demorar um tempo, mas precisamos todos buscar informações, pronunciar, participar. Chegamos a uma situação em que se nós bobearmos, ficaremos com a cratera, assistiremos o dinheiro ser aplicado longe daqui. Ficaremos com a condição de gerar empregos braçais e enviar trabalhadores doentes pra perícia em Patos de Minas .Corremos o risco de ficarmos com um calor danado , escassez de água, crescimento da violência, falta de escolas, moradia, trânsito caótico . “Cruz credo, mas já está assim!” - alguém comenta. Até parece que escuto: "deixa de ser boba, fia! Negar um investimento assim? É o progre$$o!” Não é negar, é reestruturar dentro de vários segmentos: gente e natureza.

Aliás, nós ainda pertencemos ao reino animal. Quero morrer boba, no lugar de iludida. Pelo menos os bobos conversam com os pássaros, se emocionam diante da natureza, buscam alternativas. Vai chegar o dia em que a lembrança do canto do pássaro vai se resumir ao som gravado e reproduzido no relógio de pássaros. A cada hora, movido a pilhas, será possível ouvir: sabiá, curió, bem ti vi, perdiz, tucano, fogo apagou, curiango, canarinho... Sossegue seu coração apressado e atento: é chegada a hora de decidir.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Edital de Projetos de Áreas de Conservação até 31/3

Impulsionar o desenvolvimento científico no Brasil, ampliando o investimento em conhecimento e contribuindo para manter os ciclos ecológicos vitais para o equilíbrio no planeta. Foi com esses objetivos que a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza se tornou uma das primeiras instituições nacionais ligadas à iniciativa privada a financiar projetos de conservação da biodiversidade brasileira.

Em 20 anos de atuação, completados em 2010, quase US$ 10,3 milhões já foram doados para 1.246 projetos de cerca de 400 instituições de todo o Brasil. Neste semestre, 18 novos programas serão apoiados pela organização, que vai doar R$ 514 mil distribuídos ao longo do período de duração das iniciativas que atuam em 15 estados e contemplam cinco dos seis biomas brasileiros: Mata Atlântica, Amazônia, Pampa, Cerrado e Caatinga. Além do ambiente marinho.


As inscrições para a escolha de novos projetos estão abertas, e vão até o dia 31 de março, pelo site do Grupo O Boticário, o
www.fundacaoboticario.org.br, no link O Que Fazemos e Editais. Podem se cadastrar organizações não-governamentais ou fundações ligadas a universidades, que contribuam para a conservação da natureza no Brasil. Os projetos serão contemplados já no primeiro semestre de 2011.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Movimentos Sociais Fortalecem Políticas Públicas

video

Seleção de Projetos de Direitos Humanos até Fevereiro

O Fundo Brasil de Direitos Humanos disponibiliza recursos para projetos de organizações da sociedade civil e de indivíduos em todo o país, buscando acolher a diversidade regional e beneficiar preferencialmente aqueles com menor acesso às fontes tradicionais de financiamento.

A escolha dos projetos obedece a processo de seleção anual, que se inicia com a divulgação de edital contendo os critérios específicos e os prazos para envio de projetos.

O edital 2011 privilegia iniciativas na área do combate à discriminação e à violência institucional, esta última entendida como "qualquer forma de violação a direitos humanos promovida por instituições oficiais, suas delegações ou empresas."

Veja o Edital do ano de 2011

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A Sucessora

Paulo Brabo - Bacia das Almas

Agora que o presidente desceu a rampa, recebi permissão para falar.


Como se sabe, meu cinismo essencial não apenas estende-se à política, mas deve-se em grande parte a ela. Sobre democracia não chego a compartilhar todas a descrenças de Lovecraft, mas endosso sem qualquer dúvida a iluminada desilusão de Tolkien. Como a esta altura também ninguém deve ignorar, não me considero de esquerda, mas pendo periodicamente em direção a ela devido à minha impenitente simpatia para com o cristianismo e sua insensata ênfase distributiva; pela mesma razão, não sou de direita e nem teria como ser.

Meu respeito para com o ideal cristão, no entanto, é grande demais para que eu me contente com a esquerda; como já devo ter dito antes, o problema com o socialismo é ser ao mesmo tempo idealista demais e de menos. Em termos políticos, só me resta afirmar um anarquismo cristão como esboçado no Novo Testamento, que entende a implantação do reino de Deus como o fim de todos os governos: a formidável negação de toda estrutura de poder e de dominação, em todos os níveis, por mais bem-intencionadas que se mostrem. A negação da legitimidade dos poderes, ao contrário do que tememos os fariseus de todas as eras, não é o reinado do caos: é o intransigente reino da liberdade, da ternura e da responsabilidade universais, em que o regime do amor se prova mais severo do que o da justiça. Muito declaradamente, Deus esvaziou-se em Jesus a fim de mostrar que onde não há poderes, há o reino de Deus. Deus é Despoder.

Naturalmente, um regime subversivo dessa natureza só pode ser implantado de baixo para cima. Por definição os anarquistas não devem se organizar, pelo que a do reino, por vocação, é a revolução que não será televisionada.

Enquanto isso os poderes continuam a dançar, e é uma dança de discursos e portanto de polarização. No que diz respeito à recente ascensão da esquerda no Brasil, interessa-me menos a esperança (quem sabe infundada) que despertou em alguns do que o temor que despertou em outros.

Porém o fascínio de Lula é maior do que o da esquerda; sua importância não se esgota na sua lealdade (ou não) ao ideal socialista. Em grande parte, a singularidade desses oito anos reside no espaço negativo que circundou a figura do ex-presidente – na natureza daquele vasto tudo-aquilo-que-não-é-Lula. Faz pouca diferença se você enxerga Luis Inácio da Silva como uma estrela cujo brilho ofuscou todas as outras ou como um buraco negro que arrastou para dentro de si as energias que serviriam para iluminar o mundo. São anos que ficarão marcados menos pelo que Lula fez ou deixou de fazer do que pelo que ele gerou (e deixou de gerar) ao redor de si.

Em primeiro lugar, o duplo mandato de Lula deixou claro que a democracia no Brasil basta para permitir que qualquer um chegue efetivamente ao poder; essa mesma revelação mostrou ser motivo de júbilo para uns e de horror para outros. Nesse sentido, foram oito anos de comunitária nudez, a reação que oferecemos à ascensão e à postura de Lula dizendo sempre mais sobre nós mesmos do que sobre ele.

Em segundo lugar, há o fato incontornável (já observado por habitantes dos dois hemisférios da esfera política) de que o governo Lula não teve oposição organizada. Trata-se de feito singular por muitas razões, e a menor delas não está em que – depois de duas décadas do seu exemplo – a direita poderia ter aprendido com o PT como se faz oposição eficaz.

Nesses oito anos a direita teve o lastro da revista VEJA, de Reinaldo Azevedo, de Diogo Mainardi, de Olavo de Carvalho, de um canal de TV ou outro, de articuladíssimo blogueiros, de milhões de dólares em empresários e de setecentos milhões de mensagens de email circularmente encaminhadas. Essas vozes denunciaram o presidente Lula como um analfabeto, um despreparado, um vagabundo, um bêbado e uma vergonha nacional, mas deixaram de produzir a derradeira evidência que seria capaz de comprovar o seu próprio cacife para emitir essas opiniões. Os letrados, os preparados, os trabalhadores, os sóbrios e os notáveis da direita mostraram-se incapazes de espremer de suas fileiras uma única voz – uma que fosse, minha gente, dentre tanta gente preparada – capaz de articular publicamente a sua posição e de representar uma alternativa ao governo e oferecer-lhe verdadeira oposição. Durante décadas Lula representou a oposição e falou em nome dela; durante o seu governo não houve um único candidato a candidato a expressar com um pingo de carisma ou autoridade a posição e as ressalvas da direita.

Acho isso grave porque estou também absolutamente convicto que não faz bem a ninguém governar sem oposição – mesmo que se trate de um governante tão claramente bem-intencionado quanto Lula. Cheguei a cogitar de, por amor à esquerda, fundar um articulado partido de extrema direita, para que Lula pudesse beneficiar-se de uma oposição e do saudável contrapeso de um adversário. Mas o que deixei de fazer por amor à esquerda os direitistas mostraram-se incapazes de fazer por amor à sua própria causa. Lula manteve a sanidade e o equilíbrio mesmo sem um opositor para refreá-lo, coisa que não pode ser dita sobre os governantes que o antecederam.

Finalmente, há o enorme espaço que Lula deixou para trás agora que passou de si a faixa. A lacuna é tão grande que Dilma Roussef, mesmo que tivesse em seu favor alguma visibilidade anterior e algum carisma pessoal, não teria como começar a preencher. Por décadas Lula representou o carisma na oposição e por oito anos no poder; agora que desceu a rampa, deixou-nos sem o conforto de um ou de outro.

Dilma nunca foi minha candidata (muito menos Serra, fique claro) e não a conheço; só sei dela que Lula por alguma razão (talvez bem-intencionada, mas sem dúvida política) impôs sobre ela sua benção. Será injusto esperar que qualquer outro representante da esquerda se mostre tão terno e equilibrado quanto Lula; será inocente esperar que qualquer representante da esquerda sem o seu carisma seja tolerado por tanto tempo por uma direita que representa os que têm tanto a perder.

Deste posto, do terceiro dia de quatro anos dos quais nada sei, só posso prever que Dilma, se sobreviver até o final de seu mandato, será inevitavelmente seguida por um candidato de direita.

Há, porém, uma esperança: talvez Lula, o despreparado filho do Brasil, se levante para preencher a lacuna que seus adversários se mostraram impotentes para oferecer. Se quiser, Lula pode muito bem representar a oposição capaz de manter o equilíbrio de Dilma. Quem sabe Lula seja grande o bastante para fazer aquilo de que nenhuma esquerda do mundo foi capaz: assegurar simultaneamente a perpetuação e a singeleza do seu ideal.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Enfim...

É ano novo no PatroSim... desde sempre!

Drummond para começar bem.

Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)


Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.