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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Associações de Moradores recebem Moção de Aplausos

A diretoria da Associação de Moradores dos Bairros Dª. Diva I, II e Morada Nova III, receberam das mãos do presidente da Câmara, Alberto Sanarelli Jr. (PPS), “Moções de Aplauso” conferido pelo Legislativo Municipal de autoria do presidente da Casa. A entrega aconteceu na noite desta quinta-feira, durante reunião da entidade realizada nas dependências do Posto Brasil, gentilmente cedidas para o encontro.

Antes da entrega, a convite da diretoria da Associação, o Tenente Thiago Dornelas da 87ª Companhia Especial de Polícia Militar de Patrocínio, proferiu uma palestra sobre os benefícios da implantação da “Rede de Vizinhos Protegidos”, desenvolvido pela PM em Patrocínio. Segundo o Tenente Thiago, “hoje já existem em pleno funcionamento na cidade sete laços da rede funcionando nos bairros Cidade Jardim, Matinha I e II, Morada Nova e em alguns setores do centro da cidade”, detalhou o oficial da PM.

Rede
A Rede de Vizinhos Protegidos é caracterizada por ações individuais, cujas ações são de baixo custo e podem ser adotadas em curto prazo, onde os próprios vizinhos se tornam "Câmeras Vivas". A proposta é trocar a oportunidade dada pela vítima por cuidados e medidas pro - ativas, criando mecanismos para dificultar a ação dos infratores, melhorando a proteção pessoal, patrimonial e consequentemente aumentando a segurança e a promoção da Paz Social. As pessoas interessadas em criar a Rede de Vizinhos Protegidos em sua Rua poderão entrar em contato com o 87º Cia. de Polícia Militar, através da Assessoria de Comunicação Organizacional.

Moções
Antes de entregar as “Moções de Aplauso” ao presidente da Associação Dr. Rodrigo Elias e demais diretores presentes, o presidente Alberto Sanarelli, destacou a importância das Associações e parabenizou a iniciativa dos moradores, que se mobilizaram quando se sentiram prejudicados com o fechamento do principal acesso de veículos aos referidos bairros. “Ninguém faz nada sozinho, e os moradores se mobilizaram quando se sentiram prejudicados com algumas medidas tomadas, cujo bom censo da Administração Municipal foram revistas em favor da comunidade”, salientou. O presidente da Associação de Moradores dos bairros Dª. Diva I, II e Morada Nova III, Rodrigo Elias, agradeceu a presença do presidente do Legislativo na reunião e o incentivo a iniciativa e ter colocado a Câmara Municipal a disposição para o melhor andamento da nova entidade, criada oficialmente no início desse ano.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A Sucessora

Paulo Brabo - Bacia das Almas

Agora que o presidente desceu a rampa, recebi permissão para falar.


Como se sabe, meu cinismo essencial não apenas estende-se à política, mas deve-se em grande parte a ela. Sobre democracia não chego a compartilhar todas a descrenças de Lovecraft, mas endosso sem qualquer dúvida a iluminada desilusão de Tolkien. Como a esta altura também ninguém deve ignorar, não me considero de esquerda, mas pendo periodicamente em direção a ela devido à minha impenitente simpatia para com o cristianismo e sua insensata ênfase distributiva; pela mesma razão, não sou de direita e nem teria como ser.

Meu respeito para com o ideal cristão, no entanto, é grande demais para que eu me contente com a esquerda; como já devo ter dito antes, o problema com o socialismo é ser ao mesmo tempo idealista demais e de menos. Em termos políticos, só me resta afirmar um anarquismo cristão como esboçado no Novo Testamento, que entende a implantação do reino de Deus como o fim de todos os governos: a formidável negação de toda estrutura de poder e de dominação, em todos os níveis, por mais bem-intencionadas que se mostrem. A negação da legitimidade dos poderes, ao contrário do que tememos os fariseus de todas as eras, não é o reinado do caos: é o intransigente reino da liberdade, da ternura e da responsabilidade universais, em que o regime do amor se prova mais severo do que o da justiça. Muito declaradamente, Deus esvaziou-se em Jesus a fim de mostrar que onde não há poderes, há o reino de Deus. Deus é Despoder.

Naturalmente, um regime subversivo dessa natureza só pode ser implantado de baixo para cima. Por definição os anarquistas não devem se organizar, pelo que a do reino, por vocação, é a revolução que não será televisionada.

Enquanto isso os poderes continuam a dançar, e é uma dança de discursos e portanto de polarização. No que diz respeito à recente ascensão da esquerda no Brasil, interessa-me menos a esperança (quem sabe infundada) que despertou em alguns do que o temor que despertou em outros.

Porém o fascínio de Lula é maior do que o da esquerda; sua importância não se esgota na sua lealdade (ou não) ao ideal socialista. Em grande parte, a singularidade desses oito anos reside no espaço negativo que circundou a figura do ex-presidente – na natureza daquele vasto tudo-aquilo-que-não-é-Lula. Faz pouca diferença se você enxerga Luis Inácio da Silva como uma estrela cujo brilho ofuscou todas as outras ou como um buraco negro que arrastou para dentro de si as energias que serviriam para iluminar o mundo. São anos que ficarão marcados menos pelo que Lula fez ou deixou de fazer do que pelo que ele gerou (e deixou de gerar) ao redor de si.

Em primeiro lugar, o duplo mandato de Lula deixou claro que a democracia no Brasil basta para permitir que qualquer um chegue efetivamente ao poder; essa mesma revelação mostrou ser motivo de júbilo para uns e de horror para outros. Nesse sentido, foram oito anos de comunitária nudez, a reação que oferecemos à ascensão e à postura de Lula dizendo sempre mais sobre nós mesmos do que sobre ele.

Em segundo lugar, há o fato incontornável (já observado por habitantes dos dois hemisférios da esfera política) de que o governo Lula não teve oposição organizada. Trata-se de feito singular por muitas razões, e a menor delas não está em que – depois de duas décadas do seu exemplo – a direita poderia ter aprendido com o PT como se faz oposição eficaz.

Nesses oito anos a direita teve o lastro da revista VEJA, de Reinaldo Azevedo, de Diogo Mainardi, de Olavo de Carvalho, de um canal de TV ou outro, de articuladíssimo blogueiros, de milhões de dólares em empresários e de setecentos milhões de mensagens de email circularmente encaminhadas. Essas vozes denunciaram o presidente Lula como um analfabeto, um despreparado, um vagabundo, um bêbado e uma vergonha nacional, mas deixaram de produzir a derradeira evidência que seria capaz de comprovar o seu próprio cacife para emitir essas opiniões. Os letrados, os preparados, os trabalhadores, os sóbrios e os notáveis da direita mostraram-se incapazes de espremer de suas fileiras uma única voz – uma que fosse, minha gente, dentre tanta gente preparada – capaz de articular publicamente a sua posição e de representar uma alternativa ao governo e oferecer-lhe verdadeira oposição. Durante décadas Lula representou a oposição e falou em nome dela; durante o seu governo não houve um único candidato a candidato a expressar com um pingo de carisma ou autoridade a posição e as ressalvas da direita.

Acho isso grave porque estou também absolutamente convicto que não faz bem a ninguém governar sem oposição – mesmo que se trate de um governante tão claramente bem-intencionado quanto Lula. Cheguei a cogitar de, por amor à esquerda, fundar um articulado partido de extrema direita, para que Lula pudesse beneficiar-se de uma oposição e do saudável contrapeso de um adversário. Mas o que deixei de fazer por amor à esquerda os direitistas mostraram-se incapazes de fazer por amor à sua própria causa. Lula manteve a sanidade e o equilíbrio mesmo sem um opositor para refreá-lo, coisa que não pode ser dita sobre os governantes que o antecederam.

Finalmente, há o enorme espaço que Lula deixou para trás agora que passou de si a faixa. A lacuna é tão grande que Dilma Roussef, mesmo que tivesse em seu favor alguma visibilidade anterior e algum carisma pessoal, não teria como começar a preencher. Por décadas Lula representou o carisma na oposição e por oito anos no poder; agora que desceu a rampa, deixou-nos sem o conforto de um ou de outro.

Dilma nunca foi minha candidata (muito menos Serra, fique claro) e não a conheço; só sei dela que Lula por alguma razão (talvez bem-intencionada, mas sem dúvida política) impôs sobre ela sua benção. Será injusto esperar que qualquer outro representante da esquerda se mostre tão terno e equilibrado quanto Lula; será inocente esperar que qualquer representante da esquerda sem o seu carisma seja tolerado por tanto tempo por uma direita que representa os que têm tanto a perder.

Deste posto, do terceiro dia de quatro anos dos quais nada sei, só posso prever que Dilma, se sobreviver até o final de seu mandato, será inevitavelmente seguida por um candidato de direita.

Há, porém, uma esperança: talvez Lula, o despreparado filho do Brasil, se levante para preencher a lacuna que seus adversários se mostraram impotentes para oferecer. Se quiser, Lula pode muito bem representar a oposição capaz de manter o equilíbrio de Dilma. Quem sabe Lula seja grande o bastante para fazer aquilo de que nenhuma esquerda do mundo foi capaz: assegurar simultaneamente a perpetuação e a singeleza do seu ideal.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Leis do Futebol para um resultado eleitoral

Por Elio Gaspari

Hoje à noite será conhecido o próximo presidente da República. Desde 1989 não se via uma campanha terminar de forma tão divisiva e oca. O estudo do mapa eleitoral permitirá que se chegue a explicações políticas e sociais para o resultado. De todas, a de alta toxicidade e baixa honestidade será aquela que atribuirá a derrota ao marqueteiro.

Nenhuma explicação superará a mais elementar constatação: o povo foi chamado, cada cidadão teve direito a um voto, eles foram contados, e foi eleito quem teve mais preferências.


A pobreza da campanha durante o segundo turno criou terreno fértil para uma perigosa radicalização.


De um lado e de outro surgiram vozes, ainda tímidas, discutindo a legitimidade do mandato. Em alguns casos, vocalizam um paradoxo: o
resultado de hoje pode colocar em risco a democracia brasileira. Fica difícil entender como uma eleição pode ameaçar a democracia.

Esse tipo de raciocínio embute, necessariamente, a desqualificação do voto do outro. Parte do pressuposto segundo o qual os votos dados a uma candidatura valem mais (ou menos) do que aqueles dados a outra. É o mais antidemocrático dos argumentos: meu voto é melhor que o dele.


Essa prática prosperou no século passado e custou ao Brasil 36 anos de ditaduras durante as quais o povo não escolheu presidente algum.


Agora mesmo, nos Estados Unidos, há milhões de americanos convencidos de que o companheiro Obama pode ser considerado um socialista (55%), nasceu no Quênia, ou na Indonésia (24%), e é muçulmano (20%). Quem pensa assim nesta semana deverá votar contra seus candidatos, mas ninguém milita na contestação da legitimidade do seu mandato.


Dois filósofos do
futebol podem socorrer tanto aqueles que se julgarem vencedores como os que se sentirem derrotados.

Aos vencedores: O melhor time sempre ganha. O resto é fofoca. (Do técnico escocês Jimmy Sirrel.) Aos perdedores: O melhor time pode perder. O resto é fofoca, boa fofoca. (Do professor norueguês Steffen Borge, da Universidade de Tromso, comentando a teoria de Sirrel.)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Antes que acabe essa campanha...

...sim, meus caros, a campanha. Porque política não acaba nunca!

Direita x Esquerda

Antônio Prata

Depois que o muro de Berlim foi partido em cubinhos e vendido como souvenir, Che Guevara passou a usar o chapéu do Mickey Mouse e a Colgate uniu o mundo num único e branco sorriso, muita gente pensou que esquerda e direita tinham ficado para trás. Dizia-se que, dali em diante, os termos só seriam usados para indicar o caminho no trânsito e diferenciar os laterais no futebol. Afinal de contas, estávamos no fim da história e, como sabíamos desde criancinhas, todos viveriam felizes para sempre.

Mas o mundo gira, gira e – eis aí um grande problema de rodar em torno do próprio eixo – voltamos para o mesmo lugar. Se a história se repete como farsa ou como história mesmo, não faço a menor idéia, mas ouso dizer, parafraseando Nelson Rodrigues (que já foi de direita, mas o tempo e Ruy Castro liberaram para a esquerda), que hoje em dia não se chupa um Chicabom sem optar-se por um dos blocos.

Ah, como fomos tolos! Acreditar que aquela dicotomia ontológica resumia-se à discussão sobre quanto o Estado deveria intervir no mercado (ou quanto o Mercado deveria ser regulado pelo estado, o que vem a ser a mesma coisa, de maneira completamente diferente) é mais ou menos como pensar que a diferença entre homens e mulheres restringe-se ao cromossomo Y. Ou ao comprimento do cabelo.

Estado e Mercado são apenas a ponta de um iceberg, ou melhor, dois icebergs sociais, culturais, gastronômicos, gramaticais, musicais, lúdicos, léxicos, religiosos, higiênicos, esportivos, patafísicos, agronômicos, sexuais, penais, eletro-eletrônicos, existenciais, metafísicos, dietéticos, lógicos, astrológicos, pundonôricos, astronômicos, cosmogônicos — e paremos por aqui, porque a lista poderia levar o dia todo.

Justamente agora, quando esquerda e direita, pelo menos em suas ações, pareciam não divergir mais sobre as relações entre Estado e Mercado (ponhamos assim, os dois com maiúsculas, para não nos acusarem de nenhuma parcialidade), a discussão ressurge lá do mar profundo, com toda a força, como o tubarão de Spielberg.

Para que o pasmo leitor que, como eu, dá um boi para não entrar numa discussão, mas uma boiada para não sair, não termine seus dias sem uma única rês, resolvi enumerar algumas diferenças entre essas, digamos, maneiras de estar no mundo. Dessa forma saberemos, ao comentar numa mesa de bar, na casa da sogra ou na padaria da esquina, “dizem que o filme é chato” ou “como canta bem esse canário belga”, se estamos ou não pisando inadvertidamente numa dessas minas ideológicas, mandando os ânimos pelos ares e causando inestancáveis verborragias.

A lista é curta e provisória. Outras notas vão entrar, mas a base, por ora, é essa aí. Se a publico agora é por querer evitar, mesmo que parcialmente, que mais horas sejam ceifadas, no auge de suas juventudes, nas trincheiras da mútua incompreensão. Vamos lá.

* * *
A esquerda acha que o homem é bom, mas vai mal – e tende a piorar. A direita acredita que o homem é mau, mas vai bem – e tende a melhorar.
A esquerda acusa a direita de fazer as coisas sem refletir. A direita acusa a esquerda de discutir, discutir, marcar para discutir mais amanhã, ou discutir se vai discutir mais amanhã e não fazer nada. (Piada de direita: camelo é um cavalo criado por um comitê).

Temos trânsito na cidade. O que faz a direita? Chama engenheiros e constrói mais pontes. Resolve agora? Sim, diz a direita. Mas só piora o problema, depois, diz a esquerda. A direita não está preocupada com o depois: depois é de esquerda, agora é de direita.
Temos trânsito na cidade. O que faz a esquerda? Chama urbanistas para repensar a relação do transporte com a cidade. Quer dizer então que a Marginal vai continuar parada ano que vem?, cutuca a direita. Sim, diz a esquerda, mas outra cidade é possível mais pra frente. A direita ri. “Outra” é de esquerda. “Isso” é de direita.

Direita e esquerda são uma maneira de encarar a vida e, portanto, a morte. Diante do envelhecimento, os dois lados se dividem exatamente como no urbanismo. Faça plásticas (pontes), diz a direita. Faça análise, (discuta o problema de fundo) diz a esquerda. (“filosofar é aprender a morrer”, Cícero). Você tem que se sentir bem com o corpo que tem, diz a esquerda. Sim, é exatamente por isso que eu faço plásticas, rebate a direita. Neurótica! — grita a esquerda. Ressentida! — grita a direita.

A direita vai à academia, porque é pragmática e quer a bunda dura. A esquerda vai à yoga, porque o processo é tão ou mais importante que o resultado. (Processo é de esquerda, resultado, de direita).

Um estudo de direita talvez prove que as pessoas de direita, preocupadas com a bunda, fazem mais exercícios físicos do que as de esquerda e, por isso, acabam sendo mais saudáveis, o que é quase como uma aplicação esportiva do muito citado mote de Mendeville, de que os vícios privados geram benefícios públicos — se encararmos vício privado como o enrijecimento da bunda (bunda é de direita) e benefício público como a melhora de todo o sistema cardio-vascular. (Sistema cardio-vascular é de esquerda).
Um estudo de esquerda talvez prove que o povo de esquerda, mais preocupado com o processo do que com os resultados, acaba com a bunda mais dura, pois o processo holístico da yoga (processo, holístico e yoga são de extrema esquerda) acaba beneficiando os glúteos mais do que a musculação. (Yoga já é de direita, diz alguém que lê o texto sobre meus ombros, provando que o provérbio correto é “pau que nasce torno, sempre se endireita”).

Dieta da proteína: direita. Dieta por pontos: esquerda. Operação de estômago: fascismo. Macrobiótica: stalinismo. Vegetarianismo: loucura. (Foucault escreveria alguma coisa bem interessante sobre os Vigilantes do Peso).

Evidente que, dependendo da época, as coisas mudam de lugar. Maio de 68: professores universitários eram de direita e mídia de esquerda. (“O mundo só será um lugar justo quando o último sociólogo for enforcado com as tripas do último padre”, escreveram num muro de Paris). Hoje a universidade é de esquerda e a mídia, de direita.

As coisas também mudam, dependendo da perspectiva: ao lado de um suco de laranja, Guaraná é de direita. Ao lado de uma Coca-Cola, Guaraná é de esquerda. Da mesma forma, ao lado de um suco de graviola, pitanga ou umbu (extrema-esquerda), o de laranja vira um generalzinho. (Anauê juice fruit: 100% integralista).

Leão, urso, lobo: direita. Pinguim, grilo, avestruz: esquerda. Formiga: fascismo. Abelha: stalinismo. Cachorro: social democrata. Gato: anarquista. Rosa: direita. Maria sem-vergonha: esquerda. Grama: nacional socialismo. Piscina: direita. Cachoeira: esquerda. (Quanto ao mar, tenho minhas dúvidas, embora seja claro que o Atlântico e o Pacífico estejam, politicamente, dos lados opostos aos que se encontram no mapa). Lápis: esquerda. Caneta: direita. Axilas, cotovelo, calcanhar: esquerda. Bíceps, abdomem, panturrilha: direita. Nariz: esquerda. Olhos: direita. (Olfato é sensação, animal, memória. Visão é objetividade, praticidade, razão).

Liquidificador é de direita. (Maquiavel: dividir para dominar). Batedeira é de esquerda. (Gilberto Freyre: o apogeu da mistura, do contato, quase que a massagem dos ingredientes). Mixer é um caudilho de direita. Espremedor de alho é um caudilho de esquerda. Colher de pau, esquerda. Teflon, direita. Mostarda é de esquerda, catchupe é de direita — e pela maionese nenhum dos lados quer se responsabilizar. Mal passado é de esquerda, bem passado é de direita. Contra-filé é de esquerda, filé mignon é de direita. Peito é de direita, coxa é de esquerda. Arroz é de direita, feijão é de esquerda. Tupperware, extrema direita. Cumbuca, extrema esquerda. Congelar é de direita, salgar é de esquerda. No churrasco, sal grosso é de esquerda, sal moura é de direita e jogar cerveja na picanha é crime inafiançável.

Graal é de direita, Fazendinha é de esquerda. Cheetos é de direita, Baconzeetos é de esquerda e Doritos é tucano. Ploc e Ping-Pong são de esquerda, Bubaloo é de direita.
No sexo: broxada é de esquerda. Ejaculação precoce é de direita. Cunilingus: esquerda. Fellatio: direita. A mulher de quatro: direita. Mulher por cima: esquerda. Homem é de direita, mulher é de esquerda. (mas talvez essa seja a visão de uma mulher — de esquerda).

Vogais são de esquerda, consoantes, de direita. Se A, E e O estiverem tomando uma cerveja e X, K e Y chegarem no bar, pode até sair briga. Apóstrofe ésse anda sempre com Friedman, Fukuyama e Freakonomics embaixo do braço. (A trema e a crase acham todo esse debate uma pobreza e são a favor do restabelecimento da monarquia).
“Eu gostava mais no começo” é de esquerda. “Não vejo a hora de sair o próximo” é de direita.

Dia é de direita, noite é de esquerda. Sol é de direita, lua é de esquerda. Planície é de direita, montanha é de esquerda. Terra é de direita, água é de esquerda. Círculo é de esquerda, quadrado é de direita. “É genético” é de direita. “É comportamental” é de esquerda. Aproveita é de esquerda. Joga fora e compra outro, de direita. Onda é de direita, partícula é de esquerda. Molécula é de esquerda, átomo é de direita. Elétron é de esquerda, próton é de direita e a assessoria do neutron informou que ele prefere ausentar-se da discussão.

To be continued (para os de direita)
Under construction (para os de esquerda)

sábado, 23 de outubro de 2010

"Não verás nenhum país como este"

Por Mônica Nunes

No horário eleitoral gratuito ou nos debates, ainda não ouvi um candidato neste segundo turno, fazer referencia especial ao que é o saneamento básico. Nem a candidata Dilma e nem o candidato José Serra aprofundaram em tal assunto.

Alguns podem dizer : “ - Mas, isso não me interessa, tenho água tratada, piscina em casa, rede de esgoto moderna, saúde em dia, purificador. Isso cabe ao Município!"

É justamente essa divisão entre quem tem acesso e quem não tem acesso que faz o Brasil ocupar a 70ª posição no ranking internacional de desenvolvimento humano. Não adianta considerarmos os emergentes no cenário econômico, os proprietários do pré-sal e da selva Amazônica, o país que mais gerou empregos formais ,que implantou programas de distribuição de renda ,se é real a situação onde inúmeros municípios não só tem a falta de água como a falta do tratamento da água e rede de esgoto .Não adianta petistas “apaixonados”defender a ideia que o PT salvou o Brasil e tem que continuar. Não adianta tucanos vaidosos alegarem que Serra vai administrar o Brasil como fez em São Paulo.

A divisão entre quem tem acesso e quem não tem acesso,continua levando milhares de brasileiros ,principalmente as crianças a sofrerem doenças gastrointestinais, alergias, estado de desnutrição e morte. O numero é alto: 28 mil brasileiros morrem por ano em consequência de doenças relacionadas a falta de saneamento básico. Quando fui entrevistada pelo recenseador do IBGE para o Censo 2010 ouvi a pergunta:

“ - Sua casa tem fossa?

Respondi: “- Fossa? Isso é coisa do passado. Moro no centro da cidade”

Veio a reposta:

“_Não é coisa do passado não, aqui no Município de Patrocínio ainda existe Como também é expressivo o número de adultos analfabetos. Estes dois dados me surpreenderam" respondeu o recenseador.

“- Esse é o Brasil dentro de outro Brasil", respondi.

Quem nunca visitou um lugarejo onde havia antena parabólica, acesso a internet, sinal para celular, coca-cola à vontade, lanhouse e não havia nem água tratada e nem rede de esgoto?

Quando o Município precisa investir o lado financeiro na maioria das vezes não vem do Governo Federal e sim, da própria arrecadação municipal. .Como este setor necessita de um alto valor, a situação vai sendo levada e não solucionada. O que a população não vê não recebe o crédito, nem causa efeito eleitoreiro. Diferente do setor da informática, construção civil, empréstimos bancários, telefonia móvel, unidade de saúde. O que significa não somente necessidade de proporcionar saneamento básico, mas o direito a essa condição de todo ser humano. Neste contraste de Brasil fico na esperança de ouvir um candidato à presidência fazer uma análise dessa situação, a implantação de ações em conjunto em todos os Estados. Cobrar tarifas parece ser o único caminho, mas investimento? Cadê o investimento?

Quando desce a água do céu, a TV mostra e divulga: “o esgoto percorre os barracos, os roedores invadem, o mau cheio é terrível!”Aí levam os moradores para outros lugares até a água baixar e tudo fica como está até a próxima estação de chuva e outros voltarem para o mesmo lugar, na mesma falta de condição.

A questão não é resolver só num Município, mas no Brasil todo. A questão envolve meio ambiente, coleta de lixo e tratamento, preservação. Estava conversando com duas pessoas entendidas em questões ambientais. Conversa vai e conversa vem, a pergunta foi direta:

“- Por que sua cidade tem poucas árvores? Vocês não procuram os vereadores, secretário, o prefeito para ações que visem esse falta de verde?

E mais:

“- Como é feito o trabalho de manutenção das nascentes? A questão do meio ambiente existe ou não existe? Vocês acham que aqui tem qualidade de vida? Vocês precisam cobrar mais dos políticos. Já já a mineração começa. O dinheiro arrecado, pode ser algo significativo, mas não vai deixar de ser algo que precisa de ações de preservação ambiental."

Repasso essas perguntas para você leitor e aos homens públicos. Quando comecei este texto questionava por que nem o candidato José Serra e nem a candidata Dilma assumem a questão do saneamento básico? Mas diante dessa pergunta me vem o ensinamento de Olavo Bilac: “Não verás nenhum país como este!”.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ficha Limpa em 2010

STF decide sobre aplicação da Ficha Limpa

Avaaz.

A Ficha Limpa corre sério risco. Candidatos corruptos, barrados das eleições de outubro, estão apelando para o Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a “constitucionalidade” da lei. Se eles ganharem todos os candidatos corruptos que conseguimos banir, serão liberados para disputar as eleições de outubro.


O STF está dividido, alguns juízes defendem a aplicação imediata da Ficha Limpa, mas os outros estão dizendo que a lei só deverá valer para 2012. Eles irão julgar a constitucionalidade da Ficha Limpa a qualquer momento. Nós precisamos agir rápido e deixar claro para os juízes do STF que a sociedade civil brasileira lutou arduamente para passar a Ficha Limpa e queremos que ela seja válida para as eleições de outubro!

Assine a petição ao STF pedindo a validação da lei Ficha Limpa. A petição será entregue diretamente ao Presidente do STF em alguns dias!

http://www.avaaz.org/po/ficha_limpa_supremo/?vl

Graças à Ficha Limpa, mais de 242 candidatos notoriamente corruptos foram barrados das eleições de outubro. Esta lei simboliza uma melhoria imensa na qualidade dos nossos governantes. Porém, em uma medida desesperada para permanecer no poder, os candidatos banidos estão recorrendo ao STF para julgar a Ficha Limpa inconstitucional, a fim de concorrer nas eleições de outubro.

A Ficha Limpa é uma das leis mais democráticas do país, sendo introduzida e aprovada por um esforço da sociedade civil brasileira sem precedentes. Ela se tornou um símbolo de esperança por um governo livre da corrupção. Percorremos um longo caminho pressionando o Congresso, com telefonemas, e-mails e mobilização popular, agora precisamos nos certificar que o STF irá defender a vontade dos brasileiros e não dos corruptos. Assine a petição agora para garantir a validade da Ficha Limpa em outubro:

http://www.avaaz.org/po/ficha_limpa_supremo/?vl

Obrigado por fazer parte deste incrível movimento contra a impunidade e por um governo sem corrupção.

Com esperança por uma eleição sem corruptos,

Toda equipe do Avaaz.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Brasil Lidera Combate à Fome Segundo Relatório da Action Aid

Action Aid

Segunda edição do documento posiciona o Brasil, novamente, como a nação que mais vem combatendo este problema


No dia 14 de setembro, uma semana antes da reunião de avaliação do progresso mundial em relação aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, na sede das Nações Unidas, em Nova York, a ActionAid lança a segunda edição do relatório Quem está realmente combatendo a fome? (PDF), estudo que traça um ranking dos países, desenvolvidos e em desenvolvimento, que mais têm combatido a fome no mundo. Pela segunda vez, o Brasil ocupa o primeiro lugar do grupo de países em desenvolvimento, principalmente, por ter conseguido atingir a meta de reduzir à metade a proporção de pessoas desnutridas e de crianças abaixo do peso em pouco mais de 10 anos.


O Brasil
A razão de indicar o Brasil como líder do placar está no fato de a cobertura de políticas do bem-estar ter sido significativamente ampliada nos últimos anos. Houve aumentos reais do salário mínimo e a expansão de um programa nacional de transferência de renda, introduzido em conjunto ao crédito subsidiado e a programas de compras governamentais que apoiam os pequenos agricultores. Tomadas simultaneamente, estas medidas tiveram impacto fundamental na redução da desigualdade brasileira.

“É inegável o avanço obtido pelas políticas sociais dos últimos anos, muitas das quais resultado de propostas e demandas históricas da sociedade civil. O Brasil conseguiu reduzir o número de pessoas vivendo em extrema pobreza de 21 milhões em 2003 para 8,9 milhões em 2008. Há previsões de que caso esse ritmo se mantenha nos próximos anos, a pobreza extrema deverá ser erradicada no pais até 2014”, afirma Rosana Heringer, diretora executiva da ActionAid no Brasil.

Embora as melhorias sejam visíveis e a meta tenha sido atingida, a organização aponta que ainda é preciso fazer mais investimentos na agricultura familiar, que produz 75% do que é consumido pela população. O programa de compra de produção dos agricultores, por exemplo, poderia ser ampliado se recebesse maior orçamento e se ganhasse mais agilidade nos repasses aos produtores.


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Empresários traçam prioridades em reunião do Orçamento Participativo na ACIP/CDL


Aconteceu na ACIP/CDL a 4ª Reunião de Associados que na edição deste mês de agosto foi dedicada exclusivamente à discussão do Orçamento Participativo.

Essa é uma iniciativa da Prefeitura de Patrocínio de buscar junto à sociedade suas principais reivindicações.

Algumas delas passam a ser executadas de imediato, mas a maioria vai para o Congresso do Orçamento, em 15 de setembro, quando serão definidas as prioridades para o ano de 2011. Essas prioridades viram o Projeto de Lei do Orçamento que vai para análise e aprovação da Câmara Municipal.

Veja matéria completa aqui.

Eficiência da gestão pública é estratégica para o Brasil

AméricaEconomia

Para Gerdau, o setor público está atrasado em relação ao ciclo de crescimento pelo qual passa o País. "Somente através da eficiência da gestão pública é que poderemos crescer mais", disse o empresário. "Os governos trabalham geralmente para o período de sua gestão. Isso praticamente inviabiliza a elaboração de um planejamento estratégico."

Veja a matéria completa aqui.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

É importante que você saiba

Jornal do Flávio Almeida

A transferência de recursos da União ao município de Patrocínio no ano de 2009 totalizou R$ 43.603.368,16.

Que tal começar a analisar questões como essa?

Acesse o Portal da Transparência e comece a se interessar.

Clique nos links abaixo e veja cada área contemplada em nosso município.
Em 2010, até o presente momento foram transferidos R$ 17.971.250,74 para Patrocínio.

Confira!
Dinheiro substancioso que entrou no cofre da (...) prefeitura de Patrocínio em 2009 e 2010.

Constate!

Certifique-se da aplicação dessa grana.

Faz parte da cidadania.

É isso aí.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Transparência nas Eleições?

Transparência Brasil

Muitos dos projetos da Transparência Brasil baseiam-se no incremento do acesso a informação. As ferramentas abaixo ajudam cidadãos, a imprensa, ONGs, organismos acadêmicos e órgãos de controle do Estado a exercerem o monitoramento das instituições. Clique na área de cada um para visitar e usar.

Excelências
Histórico dos parlamentares brasileiros. Processos na justiça, como gastam o dinheiro que recebem, quem financiou suas campanhas eleitorais e muito mais.

Deu no Jornal
O único banco de dados existente no Brasil com noticiário sobre corrupção publicado pela imprensa de todos os estados. Mapas de relacionamentos, estatísticas e análises.

Às Claras
Mapa do financiamento eleitoral no Brasil. Quem financia quem nas eleições.

Campanha Eleitoral na Internet?


Após o dia 5 de julho, em sites de partidos e candidatos, desde que comunicados à Justiça Eleitoral e hospedados em provedores estabelecidos no Brasil. É permitida também a propaganda eleitoral por meio de blogs, sites de relacionamento (Orkut, Facebook, Twitter, etc) e sites de mensagens instantâneas. As propagandas eleitorais veiculadas por e-mail são permitidas, mas deverão conter mecanismo que possibilite ao destinatário solicitar seu descadastramento. É permitida ainda a reprodução do jornal impresso na internet, desde que seja feita no sítio do próprio jornal, respeitado integralmente o formato e o conteúdo da versão impressa.

Não Pode

Qualquer tipo de propaganda eleitoral paga. Nem propaganda em sites de pessoas jurídicas, em portais de notícias, com ou sem fins lucrativos, e em sites oficiais ou hospedados por órgãos ou entidades da administração pública. São vedadas ao provedor de conteúdo ou de serviços de multimídia, a utilização, doação ou cessão a venda de cadastro eletrônico de seus clientes, em favor de candidatos, partidos ou coligações.

Veja o documento completo com orientações sobre comícios, carros de som, outdoors, panfletos, camisetas, jornais, rádio e tv.

Vai começar a Campanha Eleitoral 2010

Os principais objetivos do projeto “Sujeira não é Legal” são promover civilidade entre candidatos, partidos políticos e eleitores, redução do lixo eleitoral, bem como segurança e tranquilidade nas Eleições de 2010. Em ação conjunta, o Tribunal Regional Eleitoral, idealizador do projeto, a CEMIG, o Corpo de Bombeiros Militar e a Polícia Militar de Minas Gerais vão atuar na prevenção de incidentes e acidentes durante a campanha eleitoral.

(...)

A intenção é mostrar a Justiça Eleitoral sob um novo prisma: a justiça que orienta, previne e informa, e não apenas aquela que fiscaliza e que pune. A busca de novos paradigmas para a classe política e a sociedade, no que se refere ao processo eleitoral, está entre as prioridades do projeto.

Para saber mais:

O que pode e o que NÃO pode na campanha

Objetivos da campanha

Peças de divulgação

Site da "Sujeira não é Legal"

terça-feira, 16 de março de 2010

Alunos Registram Suas Opiniões no Blog do Expresso Cidadania

Do Blog do Expresso Cidadania

"Não poderíamos deixar de evitar a responsabilidade e agir com sabedoria, mas também na liberdade de falar o que se pensa e o que se faz, de participar da sociedade e compartilhar pensamentos e opiniões, na honestidade, não só na pureza, mas também de se cumprir, de exigir e de cobrar a atitude das promessas feitas."

"Muitos políticos vão a nossa porta oferecendo algo em troca do nosso voto. Às vezes, muitos vendem pensando que é apenas um voto e que não vai fazer diferença. Mas milhares de pessoas fazem o mesmo, então faz diferença sim, pois muda o resultado final.

"Todos somos capazes de mudar o mundo sendo iguais, mas fazendo diferente. A eleição é muito importante para a melhoria do Brasil, desde que o voto seja consciente. Sem a venda de votos transformaremos nosso mundo com igualdade social. E assim, votando sabendo qual a escolha e correr atrás do que foi prometido. Devemos exigir porque o país merece coisas melhores."

EE Odylon Behrens
EE Amyr Amaral
Patrocinio - Minas Gerais

Oficina da Palavra - Antonio Carlos Maia

Clique no link para visitar o blog ou vá direto para o site.

Expresso Cidadania em Patrocínio e na Internet

Expresso Cidadania é um projeto da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) que teve sua primeira edição em 2008. Os objetivos do evento são:

- Estimular a participação política;
- Promover o cadastramento eleitoral e incentivar o voto na faixa etária em que ele é facultativo;
- Difundir o tema da cidadania e da participação política nas escolas;
- Promover a aproximação entre as instituições públicas e a sociedade.

Em 2010, o Expresso Cidadania volta com força total.

No roteiro, 16 cidades mineiras, onde alunos das escolas públicas participantes terão diversas atividades:

- Cadastramento eleitoral: o TRE emite título de eleitor, na hora, com toda a agilidade;
- Palestras e apresentação teatral;
- Oficinas de expressão corporal, produção de audiovisual e texto;
- Painéis temáticos com recursos multimídia e simulação de uso de urna eletrônica;
- Na internet: textos, fotos, videos, blog, redes sociais e muito mais.

O Expresso Cidadania será realizado no Centro de Convenções do Espaço Cultural (Av. Gal. Astolfo Ferreira Mendes, 2210, Bairro São Judas).

Quem pode participar?

Nos eventos do Expresso Cidadania, participam estudantes, entre 16 e 17 anos, da rede pública de ensino médio de Minas Gerais.

No Expresso Cidadania Virtual, todos podem participar.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Para Libertar o Presente do Passado

Overmundo

Trechos do texto "Da aurora ao crepúsculo – relatos de uma viagem...", por Luis Osete

Parafraseando Debray, ainda que o presente de Cuba seja uma decepção, fomos acostumados, à revelia da grande mídia (esta sempre aliada aos interesses capitalistas), a olhar para a ilha de Fidel e ver a imagem de um país que dá certo sem depender das migalhas capitalistas. Na concepção do espetacular concentrado (vide “A sociedade do espetáculo”, de Guy Debord), é como se as conquistas revolucionárias no esporte, saúde e educação justificassem a permanente violência da ditadura da economia totalitária, concentrada numa única figura, Fidel. Em suma, continuamos vendo o passado (revolucionário) sobreposto ao presente (de carestia, desigualdade social e repressão). Olhar de outra maneira não significa renegar o processo revolucionário cubano, mas antes, libertar o presente do passado.
(...)
A inversão de valores é surpreendente. É uma “gafe monumental” elogiar a revolução cubana diante de um povo que não suporta mais ter de carregar o estandarte do mito revolucionário. Todos lutam pela sobrevivência, seja vendendo alimentos no tal “mercado negro”, seja extorquindo turistas desatentos à lógica das duas moedas: a dos pesos cubanos (moeda nacional) e a dos pesos convertibles (CUC, que equivale a 24 pesos cubanos).
(...)
Em determinado momento da narrativa, Samarone lança uma provocação ao leitor: “Dá pra imaginar um país em que todo mundo, com raríssimas excessões, quer ir embora?”. Realmente, não dá. Como não dá pra imaginar que revolução seja sinônimo de estagnação.

Uma revolução que para no tempo está, definitivamente, condenada a morrer. A máquina burocrática construída em cinco décadas de hegemonia partidária não pode reproduzir ao povo simples (e sem filiação ao “partido”) a estupidez de uma política econômica protagonizada pelos Estados Unidos.

Leia o texto completo aqui.

Vamos trabalhar a “MASSA”?


Por Alex Real, no Overmundo

Caríssimos overmundis, depois de uma breve ausência ou de, por assim dizer, um pequeno bloqueio criativo, retorno às trincheiras para divagar sobre a questão que se segue. Mesmo correndo o risco de soar um tanto repetitivo (coisa que talvez, se deva a minha idade, que por sinal avança mais uma ano no dia de hoje).
Vamos à questão, sem mais delongas.

A “MASSA” a que me refiro é o povo, aquele mesmo da famosa frase “A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS”, que por sinal, acho muito curiosa, pra dizer o mínimo, se levarmos em consideração que foi esse mesmo povo que levou à cruz o filho Dele. Temos que tomar uma posição veemente, pois precisamos decidir para que povo vamos deixar a tarefa de fazer as escolhas que afetam a vida de todos nós. E para não correr o risco de ter o meu post “limado” novamente, reitero que minhas considerações não são políticas, mas sim culturais. Eu pessoalmente não tenho nenhuma formação acadêmica, venho de uma família muito humilde, então não aceito a premissa de que o povo é ignorante por lhe faltar acesso ao conhecimento, o que se sucede é que o povo escolhe não ter acesso, escolhe o caminho fácil e danoso de deixar a grande mídia escolher por ele. Me lebro de meu avô, que era imigrante espanhol, pedreiro, analfabeto funcional, pois só sabia escrever o próprio nome, mas sabia ler, e muito bem, tanto que recitava de memória as obras de Fernando Pessoa, de quem era fã de carteirinha. Ora, se meu avô, mesmo com toda a dificuldade, conseguiu conhecer essa obra, entre outras, como explicar que hoje, mesmo com toda a facilidade, e a velocidade com que a informação se propaga pela televisão, internet e outras mídias, porque o povo não sabe quem foi Pessoa, só pra citar um, mas poderia ser Bandeira, ou Villa Lobos, ou mesmo Tom Jobim? A única razão que consigo ver é a falta de interesse, mas não só do povo, mas das políticas públicas para cultura no nosso país. Meu pai, para citar outro exemplo, só tinha o “ginasial” e era professor de música, conhecia e ensinava teoria musical, era praticamente um maestro, compunha e arranjava, conhecia a obra dos grandes, como Bach, Beethoven, List, Stravinsk, entre outros. Então meu background foi esse, eu tenho o segundo grau e alguns cursos técnicos, mas também tive o interesse, despertado, é claro, por meu avô e meu pai, pelas grandes produções culturais da humanidade.

Não estou querendo com isso, dizer que sou melhor do que ninguém, também faço parte da “MASSA”, mas essa foi trabalhada, como um padeiro que faz um pão, é apenas farinha, água e fermento, e se transforma em um alimento divino, pra não dizer sagrado. Precisamos pois, trabalhar mais carinhosamente essa massa, e escolher qual o legado para a próxima geração da “MASSA” vamos deixar.

Com a palavra os formadores de opinião, os governantes, e também os pais.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Brasil tem condição de vencer a pobreza extrema até 2016

Ipea

O Brasil encontra-se diante da oportunidade histórica de praticamente erradicar a pobreza extrema até 2016 e obter o menor índice de desigualdade de renda desde que os registros começaram a ser feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1960. Para atingir esses resultados, o País precisa manter o ritmo de melhorias sociais observado nos últimos cinco anos, segundo o Comunicado da Presidência nº 38, apresentado nesta terça-feira, 12, em São Paulo.


O estudo, intitulado Pobreza, desigualdade e políticas públicas, foi detalhado pelo presidente do Instituto, Marcio Pochmann, no auditório da Superintendência da Caixa Econômica na Praça da Sé. O documento mostra que, entre 2003 e 2008, a queda média anual na taxa nacional de pobreza extrema (até ¼ de salário mínimo per capita) foi de 2,1%. Já a queda média anual na taxa de pobreza absoluta (até meio salário mínimo per capita) foi de 3,1%.

Caso o desempenho do período 2003-2008 seja projetado para 2016, o Brasil chegará ao ano da Olimpíada no Rio de Janeiro com indicadores sociais próximos aos dos países desenvolvidos, aponta o Comunicado da Presidência. O índice de Gini (uma das mais conhecidas medidas de desigualdade de renda), por exemplo, atingiria 0,488 naquele ano, ante 0,544 em 2008. Quanto mais próximo de 1, mais desigual é o país. A Itália tem, atualmente, um índice de 0,33, enquanto nos Estados Unidos ele é de 0,46, e na Alemanha, de 0,26.

"Se em 2008 a taxa de pobreza absoluta era de 28,8%, em 2016 pode chegar a 4%. Da mesma forma, a pobreza extrema pode ser reduzida a 0%", afirmou Pochmann, ressaltando que acabar definitivamente com a pobreza é um desafio que nem países altamente desenvolvidos conseguem superar. O presidente do Ipea declarou que o intervalo de 2003 a 2008 foi o melhor período de redução da pobreza no País.

Entre os motivos para essa melhoria, Pochmann destacou a maneira como o Estado se estruturou, desde a Constituição de 1988, para lidar com a problemática da pobreza. "Até 1988, o Estado atendia a população de maneira quase filantrópica, ou não atendia. As grandes estruturas de atendimento armadas desde a Constituição estão em sintonia com aquelas existentes em países desenvolvidos", disse.

"A despeito do crescimento econômico pequeno nos anos 1990, as mudanças evitaram que pudéssemos ter desestruturação social", continuou o presidente do Ipea, que mencionou ainda a descentralização das políticas públicas (com papel maior assumido pelos municípios) e a maior participação da sociedade na conformação e gestão das políticas sociais como fatores preponderantes para os avanços.

Segundo Pochmann, o Instituto divulgará em breve uma outra pesquisa com a mesma temática, analisando a mudança do perfil dos pobres no Brasil nas últimas quatro décadas.

Leia a íntegra do Comunicado da Presidência nº 38

Veja os gráficos