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quinta-feira, 28 de abril de 2011

PathosCídio

Inventei uma nova versão para explicar (ou seria para tentar entender) o porquê do nome da cidade ter virado Pat'cínio no sotaque local... é que talvez no fundo, no fundo, o que muitos querem dizer seja Pathos-cínio...

Pathos está na origem de paixão, de paciência, de patologia. Talvez essa seja a melhor de todas. O Michaelis define assim:
"sm sing e pl (gr páthos) Med Qualidade na fala, em escritos, acontecimentos etc. que excita à piedade, à simpatia ou à tristeza." Patologia.

Sim Pathos... que lá no Wikipedia tá descrito como "uma palavra grega que significa paixão, excesso, catástrofe, passagem, passividade, sofrimento e assujeitamento". Vou torcer para que seja verdade o ditado que diz que "para bom leitor meia palavra basta".

Para o nome do blog, escolhi o Sim para combinar com Patro e reforçar a postura (pro)positiva. Se começasse hoje, talvez escolhesse PathosCínio. Combina com o sotaque e tem muito mais significados... Mas hoje não começo, acabo. Na melhor das hipóteses, assumo que deixei de escrever, deixei de publicar outras notícias que, diga-se de passagem, também deixei de ler... e tudo isso ou todas as razões para isso cabem em um ou vários dos sentidos acima...

Poderia ter optado por trocar o outro lado da palavra, literalmente, e usado o sufixo -cídio:
"elem comp (do lat caedere) Forma substantivos que inculcam a idéia de morte, assassínio: genocídio, homicídio, infanticídio". Daí seria o fim o blog: PatroCídio... mas para não correr o risco de confundir a morte do blog com o da cidade que lhe deu nome... e para escolher a impermanência em detrimento da ideia de começo e fim - fico com os dois: PathosCídio.

Que assim seja até que o fim acabe!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Cidadãos, centro e cidadania

Para ler o texto da Mônica Nunes no Mais Um Online, clique aqui. Abaixo, alguns trechos de destaque:



Centro Vivo


(...)

Por ter me envolvido com o movimento a favor da reestruturação do trânsito da Rua Cesário Alvim ouvi diferentes relatos desde a satisfação ampla e total com a implantação da mão única até o pessimismo daqueles que 'acham' que seu comércio não vai ter mais o movimento de antes.

A pergunta que escuto é: como fizemos para conseguir?

Não tem como fazer o mesmo movimento, da mesma forma. Mas, tem como fazer cada um do seu jeito dentro da necessidade local.

A questão retrata um fator até então adormecido: todo morador tem e deve participar do que acontece no seu bairro. Se alguma 'coisa' o incomoda ou ele é citado em toda campanha política por este 'problema' mas a solução não acontece é porque os meios para alcance não estão sendo buscados e perseguidos com paixão.

Sim! É preciso paixão para abraçar uma causa que envolve qualidade de vida. Que bom se em cada quarteirão alguém se prontificasse para observar, buscar e realizar ações positivas.

O fator diferencial neste movimento foi a maciça - e espontânea - divulgação através da imprensa e a persistência no projeto de implantação da reestruturação no chamado hipercentro. Eu diria que a imprensa foi o caminho menos convencional, mais prático e direto.

Uma moradora de Macaúbas acompanhou através do rádio o que aconteceu aqui. Dentro da sua analise 'Todo mundo deveria largar dos políticos e se unir uns aos outros, usando a imprensa.'

(...)

Talvez até abrace outro movimento relacionado ao Centro. Uma vez que os moradores deste espaço sugerem algumas reivindicações. O Centro continua sendo o elo entre os bairros, mas sofreu com o crescimento desordenado e a falta de projetos para revitalizá-lo.

De dia um vai e vem constante de carros e pessoas. A noite risco de assalto, arrombamentos, praticamente um deserto a não ser nos finais de semana onde o movimento se concentra em torno da Praça Santa Luzia e Honorato Borges.

Nas calçadas centrais as lixeiras apresentam falta de manutenção. E isso já faz tempo. Passe por lá e aprecie.

É frequente o tropeçar e escorregões principalmente da parte dos idosos, seja pelo lixo eliminado pelo comércio ou pelas falhas (buracos) na calçada ou entradas para carros. Bom seria a implantação, junto com a revitalização física, de um projeto cultural anual, fazendo com que os moradores saissem de casa além do domingo ou das festas religiosas.

O fato de centro ser residência de idosos deveria receber um projeto inovador voltado para o lazer, saúde e cultura.

Muito já foi falado sobre o monitoramento (câmeras) porém sem a apoio necessário. A questão dos banheiros públicos (inclusive com um abaixo assinado correndo) deve ser vista como algo necessário uma vez que mesmo a luz do sol pessoas utilizam das 'moitas' de azaleias nas praças e outros.

Quem sabe criando infraestrutura moderna para os pontos de táxi (atualmente dois) seja construído os banheiros, facilitando tanto a higiene quanto a manutenção. Os próprios motoristas do ponto poderiam ser os encarregados de gerenciar a venda da ficha para acesso e este recurso usado para gastos com produtos de limpeza e manutenção.

Como disse existe o que fazer e como fazer!

Mas, entre o espaço de pensar e traçar objetivos é preciso encontrar pessoas com disposição e paixão para tal. Que tal juntar-se a nós?

Para ler o texto completo, clique aqui.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Rage Against the Marchinha

As fanfarras do 7 de abril podem ser muito mais interessantes...

quarta-feira, 2 de março de 2011

A verdade em pedaços

O Brabo, inspirador frequente aqui no PatroSim, publicou um texto de Bhikhu Parekh no Bacia das Almas. Republico apenas alguns pedaços mas deixo o link para o texto completo.

A verdade é plural
por Bhikhu Parekh

O pensamento ocidental tem sido por longo tempo dominado pela ideia de que o erro é plural e a verdade é singular. Podemos estar errados de muitos modos diferentes, mas certos de um modo só (...) só existe uma forma correta de se entender o mundo, um único verdadeiro sistema de moralidade, um único modo de se conduzir uma vida correta, uma única religião verdadeira, um único modo de organizar a sociedade e assim por diante. (...)

O pluralismo cultural contesta essa visão de verdade e de virtude (...) ele sustenta que a razão é moldada e estruturada pela cultura (...) quer dizer que não sejam capazes de transcender todas as sutis e profundas influências da cultura (...) As pessoas podem substituir uma cultura por outra, mas não tem como postar-se totalmente fora do âmbito da cultura.

Para o pluralismo cultural o mundo pode ser entendido de diferentes modos dependendo de nosso aparato, linguagem, interesses e propósitos conceituais, das perguntas que fazemos e do tipo de conhecimento que buscamos e valorizamos.

(...) As capacidades humanas e valores morais entram em conflito, e não podem ser integradas num sistema harmonioso sem perda. Diferentes comunidades culturais organizam-se com base em diferentes visões de uma vida correta, e fomentam diferentes capacidades, disposições e virtudes humanas. Toda comunidade cultural representa uma forma particular de excelência humana (...)

Toda cultura, portanto, requer outras como interlocutores críticos. No curso de um diálogo com elas, cada cultura torna-se consciente de sua especifidade e ganha acesso a outros valores, a virtudes que ela mesma marginaliza ou ignora. Quando se pressupõe que a verdade e a virtude são singulares, nenhum diálogo dessa espécie é necessário.(...) Na visão da cultura pluralista, o diálogo é central à vida moral e intelectual, sendo o único modo de se adquirir uma compreensão completa de sua matéria de estudo.

(...) O pluralismo cultural é uma ideia radical com implicações profundas. Ela nos imuniza contra a tendência sedutora e muito comum de pensarmos que só nossa visão de mundo, nossa religião ou sistema de moralidade é que são corretos, e podem ser com justiça serem usados para julgar todos os outros. Ele portanto gera humildade, respeito aos outros, abertura ao diálogo e o espírito de auto-crítica. Encoraja-nos também a ver os outros não como estranhos ou como ameaça, mas como parceiros de conversação que nos trazem os dons da auto-consciência e o acesso a seus tesouros, e cuja existência é pré-condição de nosso crescimento.

No nível social e político o pluralismo cultural implica que o discurso público não pode ser conduzido num único idioma conceitual e moral, devendo passar a admitir uma diversidade de dialetos e linguagens. Isso põe em dúvida o conceito dominante e dúbio de que uma sociedade não tem como ser estável a não ser que todos os seus membros concordem substantivamente a respeito dos valores de uma vida correta. (...) Não é de se admirar que a predominância do pluralismo cultural em anos recentes tenha desestabilizado as filosofias moral, social e política tradicionais; que tenha nos forçado a repensar nossos pressupostos e a redesenhar nossas instituições sociais e políticas. É provável que essa tarefa vital (...) nos ocupe ao longo de toda parcela de futuro que somos capazes de prever.

terça-feira, 1 de março de 2011

Estamos nesta, professor

Por Mônica Nunes

Recebi das mãos do secretário Municipal de educação Eurípedes Peres o Projeto de Ampliação da
UFTM com a abertura de novos cursos, reformulação de cursos existentes e instalação de campi fora da sede, datado em dezembro de 2010. Nosso Município é citado dentro do tópico instalação de novos CAMPI. Deixo seu significado: “Campus (campi, no plural) é a palavra latina que deu origem ao termo português campo. Também pode ser denominado como recinto universitário, envergando todas as instituições dentro da universidade propriamente dita."

Como não podia ser de outra forma percebi a emoção tomar conta secretário, juntamente como uma dúvida em comum: todos os líderes políticos de Patrocínio abraçariam essa causa? Contatos já estão sendo feitos, mas ações políticas terão efeito significativo uma vez que este projeto precisará desde a instalação da infraestrutura até a contratação de docentes e técnicos. A questão que envolve a captação de recursos financeiros poderá desenrolar mais uma novela. Foi divulgado que o Executivo não tem até então seu líder no poder Legislativo. Então quem irá “defender “a questão relacionada à infraestrutura do Campus?

Que envolverá no prazo de um a três anos o valor de R$56.326.257,92 para edificações, infraestrutura, equipamentos?

Chamou atenção a definição da capacitação profissional para cada município que incluindo: Araxá, Frutal, Iturama e PATROCÍNIO. Destaco aqui Araxá e Patrocínio, mesmo por que o que foi passado em uma cidade talvez seja futuro em outra.

Araxá: ”considerando que o CEFET/MG já oferece curso superior nas áreas de Engenharias de Automação Industrial e de Minas, a proposta é contemplar a vocação regional voltada para o turismo com abertura dos cursos de Hotelaria e Turismo, Administração, Licenciatura em Português Inglês e Português Espanhol.”

Patrocínio: “os investimentos programados viabilizarão a diversificação da atividade econômica do município sem o desviar da sua vocação, que é o agronegócio. Visando contribuir com a capacitação profissional propõe a abertura dos seguintes cursos: Engenharia Química, Licenciatura química e Licenciatura física”. Então você deduz que qualquer outro curso divulgado por agora não será possível. O que precisamos entender independente de qualquer pré-julgamento é que nosso Município faz parte do projeto de instalação de novos cursos da UFTM. Isso sim é significativo! Por agora o que vai ser oferecido são os cursos citados anteriormente. Como citei em um post se seria possível a vinda de Engenharia Ambiental e Marketing entendo que agora por definição cada município receberá diferentes cursos relacionados com a economia, localização e população. No caso de Frutal devido a localização e proximidade do Rio Grande e "acima do Aquífero Guarani, maior reservatório de água potável do planeta, sede do Hidroex, Instituto internacional da UNESCO, apoiado pela Fundação Cousteau, os cursos definidos são: Engenharia Ambiental, Licenciatura em Geografia, Licenciatura em Gestão de Recursos Hídricos.

Este estudo informa que aqui em Patrocínio em relação ao quadro pessoal no prazo de um a três anos serão contratados o numero de 81 docentes. No setor técnico administrativo nível superior 25 e médio 48pessoas. A previsão em relação ao total de vagas e alunos duração semestre variando de 8 a 10 é de 1300 alunos! O último Censo mostrou que o número de jovens foi reduzido, agora caso seja implantado esta unidade poderá receber jovens de outras regiões e o mais importante não deixará tantos irem embora para profissionalizarem.

Você deve estar pensando: aqui tem infraestrutura para receber quase que ao mesmo tempo a implantação da unidade Salitre e um campus da UFTM?

Aqui tem líderes políticos comprometidos com a educação e planejamento sociourbanisticoambiental?

É preciso mais do que nunca que tenhamos SIM! Senão perpetuaremos a triste sina de ver a oportunidade escapar por pura vaidade e interesse pessoal ou por que quem ocupava o "poder não era de seu grupo ou partido”. Senti uma baita emoção em receber este documento da UFTM, constando o nome desse chão sagrado. Onde seus habitantes sonham com a chegada do tempo onde cada um além de adquirir conhecimentos técnicos se sentirá cidadão!

Deixo aqui um vídeo bem apropriado para este momento, acesse:
http://g1.globo.com/videos/bom-dia-brasil/v/revolucao-na-educacao-seria-uma-estrategia-para-o-crescimento-do-brasil/1439118/

A questão educação não pode sofrer influencia de interesses isolados ou caprichos momentâneos. Tudo que aqui acontece (infelizmente ) nos passa a ideia que alguém preparou um lindo espetáculo, enquanto outro fez questão de torcer para o palco despencar. Nem tudo cabe numa pesquisa técnica ou nos chega como deveria chegar, mas é preciso movimentar, interessar e participar. Se algumas cidades conseguiram o tão famoso progresso, projeção nacional talvez seja por que entre outros feitos estruturou-se o setor educacional.

E neste setor coloco a maior fé!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Quero morrer boba, no lugar de iludida

Mônica Othero Nunes

Percorri alguns quilômetros ali para o lado de Tejuco, Mata da Bananeira, Salitre. Olhei a beleza daquele lugar, o vento puro, a natureza ainda está em alguns lugares como Deus criou. Afaguei a terra, em silêncio reverenciei todos os seres vivos. Neste instante um pássaro preto mais curioso me espiou. Parecendo me perguntar:


- O que você tá fazendo aqui menina da cidade grande? - Não tive resposta para aquele olhar que ao encontrar com o meu traduziu:

- Despede-te deste lugar! Em breve não será o mesmo.

Aí o coração se apertou, como a sufocar. Que tristeza danada!

Tudo isso vai embora, em troca de alguns milhões? Em troca da ilusão financeira do progresso, do impulso econômico, da necessidade atual de gerar divisa, emprego! De plantar para alimentar ou plantar e armazenar dinheiro? Tudo isso vai ser transformado, mesmo que alguns poucos não queiram e tantos outros nem imaginam o que seja o valor aplicado e recolhido em reai$? E nós que nem queremos imaginar tanta mudança buscamos uma esperança que exista um estudo ambiental sério para que além do valor da riqueza, exista o valor da vida.

Espio devagar esse lugar. Pode ser que ao voltar daqui alguns anos nem pássaro preto eu encontre mais. Que animal vai conseguir se adaptar com tantas mudanças ambientais? Vai ter sim um local destinado para Reserva Legal. Escolhido nome de alguém para homenagear. Mas, lugar demarcado não é natureza livre por si só que vai resistindo até que fique em fotos, catálogos, livros científicos para estudos futuros. Pode ser que eu encontre no lugar um vai e vem de veículos, de pessoas... Pode ser que sinta o ar carregado, observe as casas próximas com portas e janelas trancadas “prá poeira não cobrir tudo". Pode ser que alguém diga: "dinheiro aqui não é problema, o problema é a violência, as doenças respiratórias, a falta d’água." Como o bicho homem vai se adaptar a esse “progre$$o”? Demandas serão escolhidas. As demandas vão superar as ofertas? Como vai ficar a vida dessas comunidades rurais?

Sinto-me uma guardiã em conflito entre dois estados distintos: natureza e economia. Quantas dádivas recebemos da terra? Atravessamos anos e anos na luta diária extraindo, comercializando, adquirindo. Mas, em se tratando da natureza a palavra é compartilhar. Quantas reuniões acontecerão para concluir que toda essa região tem um valor muito maior do que cifrões? Ninguém se atreve a dizer que não vai haver impacto. Pelo contrário até convidam para estudar esses impactos na vida de cada um. Mas, tenho a impressão que é conversa programada para seguir etapas pré-definidas, exigências governamentais. Se a questão fica só de um lado, passa a ser unilateral, que atende apenas alguns interesses.

O entendimento pode demorar um tempo, mas precisamos todos buscar informações, pronunciar, participar. Chegamos a uma situação em que se nós bobearmos, ficaremos com a cratera, assistiremos o dinheiro ser aplicado longe daqui. Ficaremos com a condição de gerar empregos braçais e enviar trabalhadores doentes pra perícia em Patos de Minas .Corremos o risco de ficarmos com um calor danado , escassez de água, crescimento da violência, falta de escolas, moradia, trânsito caótico . “Cruz credo, mas já está assim!” - alguém comenta. Até parece que escuto: "deixa de ser boba, fia! Negar um investimento assim? É o progre$$o!” Não é negar, é reestruturar dentro de vários segmentos: gente e natureza.

Aliás, nós ainda pertencemos ao reino animal. Quero morrer boba, no lugar de iludida. Pelo menos os bobos conversam com os pássaros, se emocionam diante da natureza, buscam alternativas. Vai chegar o dia em que a lembrança do canto do pássaro vai se resumir ao som gravado e reproduzido no relógio de pássaros. A cada hora, movido a pilhas, será possível ouvir: sabiá, curió, bem ti vi, perdiz, tucano, fogo apagou, curiango, canarinho... Sossegue seu coração apressado e atento: é chegada a hora de decidir.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Enfim...

É ano novo no PatroSim... desde sempre!

Drummond para começar bem.

Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)


Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sobre escrever

Bacia das Almas

Já foi dito várias vezes – e, ainda mais vezes, colocado por escrito, – mas escrever é para gente não-resolvida. Quem é verdadeiramente livre e vital não encontra brecha de vida para vaquejar palavras para dentro de uma página.

Todas as artes requerem do oficiante uma dose de auto-obsessão, mas o escritor é dentre todos o mais diretamente absorvido com a sua imagem. O escritor, mesmo quando fala do mundo e dos outros, tagarela apenas de si e para si; ele pode chegar a tornar-se universal, mas apenas na medida em que for fiel à sua obsessão com a auto-elucidação.

Deve ficar claro que não é o fato de ser escritor que o torna obcecado com a sua imagem. O trajeto é oposto: é de fato sua auto-absorção – o ruído ensurdecedor produzido pela sua própria máquina – que o conduz a ser escritor. A precaríssima tese de cada autor é que ele mesmo pode ser, mesmo que por um instante, mais interessante do que o mundo inteiro; é só essa intemperança que o levará a escolher uma vida em que possa tentar impor diariamente a sua supremacia sobre o universo.

E justamente nisso, em que o escritor só sabe se ocupar da sua imagem, é que fica claro o seguinte: escrever é a arte de viver compondo, corrigindo e grifando como gostaríamos de ser lembrados. É desenhar, aprovar e erguer a plataforma de nossa própria justificação.

Enquanto a maior parte de nós contenta-se em viver, o escritor toma as ferramentas da vida como insuficientes para explicar ao mundo quem ele realmente é. O arcabouço do dia a dia – levantar, trabalhar, esquecer, amar – lhe parece vaso insuficiente para saciar a sede da sua autoexpressão. Escritor é o cara que, considerando a vida escassa e acanhada para conter e manifestar a sua singularidade, passa a vida redigindo o seu próprio epitáfio.

É obsessão com a morte no sentido mais negativo e imaturo da coisa. Ou, dito no vocabulário de uma outra mitologia: a letra mata. Essa carga letal não impede, no entanto, que o autor gaste seus dias buscando na palavra um simulacro de vida. É na verdade essa quase-vida, esse paliativo do espírito, que o atrai na palavra escrita.

Já quem pisa o terreno da integridade e da suficiência não precisa, dizem-me, desses subterfúgios.

É portanto muito conveniente e muito elucidativo que a Bíblia tenha sido colocada por escrito, e que o Verbo encarnado – o Verbo encarnado, veja bem – não tenha jamais se inclinado sobre o papel. Em sua condição de texto, a Bíblia denuncia tacitamente a limitação de seus autores, bem como sua rejeição essencial de um mundo não definido pelas palavras e além das palavras contido.

O Filho do Homem, por outro lado, é um cara que existia e que tinha mais o que fazer. Os notáveis escrevem, mas o grandes limitam-se a viver, e nisso são indistinguíveis da gente comum.
* * *

Portanto, embora seja esperado que eu mesmo gaste tanto tempo escrevendo, é também paradoxal, porque só chegarão a me conhecer os que não lerem os meus livros – ou os que solenemente os ignorarem.

Talvez ninguém tenha me descrito e me ensinado melhor do que o atarefado Gabriel, que não deve ter ainda sete anos e decretou debaixo do sol de um verão na Toscana: sei vecchio, ciccio e non sai dire nulla: “você é velho, gorducho e não sabe dizer nada”. E disse isso sem afrouxar o abraço que estava me dando, e sem alterar em nada a consideração com que sempre me tratou.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Do que (ou de quem) você tem medo

Alguns trechos de "A Pastoral do Medo", de Paulo Brabo, sobre manipulação, dominação, a participação da igreja e, como consequencia mais imediata e mais importante, as escolhas que fazemos...

Se o assunto não te dá medo, pode ser que você queira ir direto à fonte para ler o texto na íntegra.

"Há um bom motivo pelo qual o alarmismo é contagioso e irresistível, e se espalha como a peste pelas veias da internet; há um motivo pelo qual os pregadores invariavelmente demonizam seus adversários, e afirmam haver gigantes insaciáveis onde ficará demonstrado haver moinhos de vento: semear o medo torna as pessoas vulneráveis, e gente vulnerável pode ser manipulada.

O medo só é capaz de dominar quem tem alguma coisa a perder; quem não tem nada a perder não tem a nada temer. Esta é uma equação delicada, especialmente num país como o Brasil, em que a distribuição de renda está entre as dez mais desiguais do mundo (e é um mundo grande): há sempre o risco de que os que não tem nada a perder se levantem contra os que tem tudo a perder.

Em todo o mundo, mas especialmente num país com a nossa história, a classe média ocupa mais ou menos o espaço que ocupava a nobreza nos tempos medievais e coloniais. E, como sabemos o que aconteceu à nobreza em insurreições como a Revolução Francesa, a classe média adentrou a era moderna imbuída de um medo que lhe é absolutamente característico e essencial: o medo da perturbação social.

A classe média sabe desejar o progresso e é capaz de assimilar a mudança, porém (exatamente como a nobreza antes dela) tem absoluto horror à desordem. Seu mundo de shopping centers, de ambientes de ar condicionado e de seguranças na porta (a fim de manter os incompatíveis à distância) deve ser resguardado a todo custo. Passeatas, quebra-quebras, invasões de sem-terra, ladrões que levam o iPad e revoluções de gente faminta devem pertencer ao domínio ilustrativo dos filmes de zumbi. Na verdade, já o constrangimento de ser abordado por uma criança de rua na esquina deve ser aplacado pelo uso preventivo de carros blindados e vidros escuros.

A estabilidade social, entendida como a manutenção de um estado de coisas em que uma minoria administre e se beneficie de recursos que são de todos, é o valor por excelência da classe média. Não há outra verdade eterna que ela esteja disposta a defender.

O medo da perturbação social, no entanto, é genérico demais e precisa encontrar ícones que os encarnem de modo satisfatório. É preciso pulverizar o nosso medo essencial atribuindo-o a culpados e demônios.

E, se quisesse manipular nos nossos dias uma burguesia absolutamente aterrorizada diante da possibilidade de perturbações sociais, que alvos você elegeria? Deixe-me ajudá-lo: elejamos os homossexuais, os que defendem o aborto, os sem-terra, os comunistas.
1

Cada uma dessas categorias representa, à sua maneira, uma formidável possibilidade de perturbação social; cada uma, à sua maneira, materializa uma ameaça à tranquilidade O que a classe média teme são perturbações sociais. sanitizada do indefectível universo burguês, em que nada é sujo, nada é feio, nada é controverso e nada é constrangedor.

E que ameaça maior do que um mundo em que a união civil entre homossexuais denuncie diariamente o caráter relativo e historicamente determinado de soluções de convívio que a sociedade toma por normativas? O que parecerá mais perturbador do que um mundo em que gente do sexo masculino ouse definir a sua relação mútua pela afetividade e não pela agressividade e pela competição? Um mundo em que mulheres ousem prescindir do homem para encontrar a sua satisfação sexual e emocional?

Do mesmo modo, será preciso avaliar a ameaça de um mundo em que o aborto exista sequer como possibilidade. Porque este mundo irá postular como legítimo que a mulher exerça controle sobre seu próprio corpo e sobre seu próprio prazer, e esses domínios pertencem por tradição ao âmbito do seu homem.

E que dizer dos sem-terra e dos comunistas, que blasfemam do próprio capitalismo e querem virar o mundo do avesso, ignorando os privilégios milenares da propriedade, da classe social e do lucro, e isso em favor de uma ameaça tão declarada quanto a “igualdade social”? O que pode ser mais inaceitável do que esse ataque direto à estabilidade – à própria existência – do mundo entrincheirado da burguesia?2

Se é para preservar o presente mundo das perturbações sociais, será necessário negar qualquer igualdade de direitos civis aos homossexuais, chamando sua demanda de ditadura gay; será preciso abominar o aborto acenando com a bandeira pró-vida, ao mesmo tempo em que escondemos atrás dela os recursos que financiam a morte nas guerras e o horror das crianças vivas que passam fome patrocinada pelo capitalismo; será preciso rejeitar qualquer iniciativa que altere desfavoravelmente (para nós) a distância de segurança entre as castas, tachando-as de paternalismo, assistencialismo, compra de votos e introdução gradual da doutrina comunista.3

O problema de uma comunidade dominada pelo medo é que ela pode ser manipulada a ceder a gravíssimas injustiças em nome da preservação de sua tranquilidade idealizada. Dessa forma a Alemanha abraçou de bom grado o discurso nazista, por medo das perturbações sociais encarnadas na ameaça do comunismo e numa suposta dominação judaica mundial. Dessa forma a Itália dobrou-se servilmente ao fascismo e o Brasil à ditadura militar, porque esses autoritarismos berravam ameaças de uma impensável sublevação e de uma horrendo nivelamento societário. E, como era de se esperar, esses movimentos de terror contaram com o apoio aberto – e, em alguns casos, o constrangido silêncio – da igreja.

Em que somos menos manipuláveis do que a Alemanha nazista, se tememos as mesmas coisas? Os nazistas temiam que os judeus imprimissem no mundo seus valores, sua supremacia e sua estética, e nós tememos que os homossexuais implantem nele a sua agenda; os nazistas temiam que os comunistas aplainassem as classes ao ponto de uma completa descaracterização nacional, e nós tememos a mesma coisa. Somos nós a cidade sitiada, e o que nos conforta são os gritos do clero explicando o que devemos temer – e assim o que devemos odiar.

Quando adotamos o discurso do medo, portanto, estamos tentando imprimir sobre a proposta impoluta e subversiva do reino marcas que são incompatíveis com a sua essência e com a sua herança. Porque o Novo Testamento não deixa espaço para dúvida: igreja não é quem teme a perturbação social, mas quem a provoca. Igreja não é quem promove o medo, mas quem o aplaca e o anula pela inclusão e pelo amor. “O amor lança fora todo o medo”, ousou proclamar a provisão imprudente do Espírito.

E nós, o que fazemos? Enquanto a igreja exemplar do livro de Atos aprendia, passo a passo, a incluir o diferente e o tido previamente como inaceitável (a mulher, o aleijado, o eunuco, o gentio), nós demonizamos como inaceitável o homossexual. Enquanto a igreja exemplar do livro de Atos adotava todo o tipo de medidas distributivas e postulava um reino definido pela equidade, nós condenamos como comunismo e como Satanás a mínima provisão que vise apenas desbastar os abismos da distribuição de renda.

E nisso, que fique muito claro, vamos escolhendo aqueles medos que nos mantenham a salvo da nossa vocação."

NOTAS

1. Na Europa e nos Estados Unidos seria necessário incluir nesta lista os muçulmanos e os imigrantes.

2. Uma sociedade justa é uma em que, por definição, não existe mão de obra barata. Conversei esta semana com um empresário que estava estarrecido diante da sua dificuldade de encontrar gente disposta a trabalhar na base da pirâmide pelo salário que ele costumava oferecer. Diante de seguranças de fundo como salário desemprego e bolsa-família, os desqualificados do sistema estão pensando duas vezes antes de se submeter a uma posição desumanizante e pouco promissora. Esse empresário sentia-se pressionado a ou aumentar os seus salários ou diminuir os seus lucros, e ambas as soluções o apavoravam, porque emblemavam e estavam fundamentadas numa perturbação social. Seu mundo de enriquecimento rápido baseado na submissão voluntária dos mais fracos estava sendo ameaçado, e seu patrimônio corre o risco de não dobrar nós próximos anos. Nada o deixava mais desconcertado e temeroso.

3. Pode ser necessário lembrar que o anarquista que existe em mim recusa-se a reconhecer a legitimidade de soluções legislativas ou políticas para quaisquer dessas questões. Na verdade rejeito a supremacia de qualquer solução política. O que reconheço é que o movimento colocado em movimento por Jesus e por suas testemunhas (movimento que aclamava contra o senhorio de César um rei primeiro descalço, depois invisível, e maquinava a implantação nesta terra de um reino que não é deste mundo) pressupõe e instaura o fim de todos os governos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Em tempo... outra de outros tempos (?)

Outro velho, aliás, velho demais e ainda atual... demais:

"Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles gostam."

Platão

O Analfabeto Político

O texto é velho... mas a ideia é muito atual:

O Analfabeto Político
Bertold Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sonho Impossível - Maria Bethânia

No último dia (do primeiro turno?!) de campanha eleitoral, uma amiga me contou que amanheceu cantando Maria Bethânia. Que fique claro: elas - a amiga e a "Bethânia" - certamente não estavam pensando no próximo domingo.

Se quiser ler a letra: http://letras.terra.com.br/maria-bethania/47243/


terça-feira, 21 de setembro de 2010

11 de setembro: lá vamos nós de novo

Cena de tortura em Bagram

Um dos modos mais poderosos de se perpetuar e fortalecer uma ideologia é obtendo-se controle sobre o calendário e sobre o modo como as pessoas marcam a passagem do tempo, recordam eventos passados e celebram momentos sagrados. Desse modo, por exemplo, a cristandade tomou posse dos dias santos do paganismo e converteu-os em festivais cristãos (Natal, Páscoa e assim por diante). Então, em nossa própria época, o capitalismo global tomou posse dos dias santos do cristianismo e converteu-os em festivais de consumo e de acumulação de débito (fazendo o mesmo com os dias santos da nação-estado).

Em qualquer dia marcado como santo – ou designado como momento de se recordar um evento passado – vale lembrar que algumas coisas estão sendo lembradas, enquanto outras estão sendo esquecidas. Certas facções da sociedade têm sempre um interesse velado em moldar nossa memória desta forma, e acontece de serem as mesmas facções que têm o poder de impor sua própria versão da história sobre nós.

Pegue hoje, 11 de setembro. 11/9. Que evento momentoso aconteceu no dia de hoje?

A verdade é que mais de um evento momentoso aconteceu neste dia no curso da história. Em 11 de setembro de 1973 o golpe de Pinochet derrubou no Chile o governo democraticamente eleito de Salvador Allende. Durante os anos subsequentes de seu governo, entre 9.000 e 30.000 pessoas foram assassinadas ou “desapareceram”, dezenas de milhares mais foram torturadas ou aprisionadas, e centenas de milhares experimentaram “situações de trauma extremo”.

Levando-se em conta a maciça perda emocional colocada em andamento pelos eventos de 11 de setembro de 1973, poderia ter ocorrido a alguém marcar cada 11 de setembro com alguma espécie de memorial. Isso, no entanto, não aconteceu, e tampouco a data será lembrada dessa forma. Por quê? Porque o golpe de Pinochet contou com o apoio da CIA, seu domínio foi sustentado pelo governo americano, seus torturadores foram treinados por oficiais americanos e sua economia implacável (que triturou o povo de seu país de modo a vender seus recursos a corporações externas) foi dirigida por economistas americanos (Milton Friedman comunicava-se pessoalmente com Pinochet, encorajando-o a manter-se fiel ao capitalismo de livre-mercado sem deixar-se distrair pelos sofrimentos do povo chileno).

Por essa razão, aqueles com o poder e os recursos para conduzir as narrativas públicas e as versões da história a que somos submetidos – aqueles que criam os dias especiais que marcam nossos calendários – tomaram providências para que o 11 de setembro permaneça um dia em que esse evento é apagado da história. Ao invés de ser um dia de se lembrar, é um dia de se esquecer. Esqueçamos Allende. Esqueçamos Pinochet. Esqueçamos a destruição da democracia na América Latina. Esqueçamos os modos injetores-de-morte com os quais os Estados Unidos e o resto do Ocidente têm tratado o resto do mundo. Deus sabe que a lembrança dessas coisas poderia inspirar alguns sujeitos a bater com aviões em prédios (embora, pode ser necessário notar, estou convicto de que estariam agindo errado se o fizessem).

Há nove anos, no entanto, alguns caras de fato pilotaram aviões de modo a que colidissem com prédios, e é isso que somos ordenados a lembrar no dia de hoje. É uma opção sem dúvida superior, porque nela nasce a América como vítima inocente – uma vítima que, renascendo das cinzas, permanece ainda disposta a oferecer-se em sacrifício de modo a levar gratuitamente a liberdade e a sabedoria (McDonald’s e Coca-Cola) ao resto do mundo. América, o herói longânimo. América, nosso próprio Cavaleiro das Trevas.

O interessante é que o ano em que tudo isso aconteceu é normalmente removido do vocabulário. As pessoas se referem ao “11 de setembro” ou a “11/9″; não se fala em “11 de setembro de 2001″ ou “11/09/2001″. Desse modo os eventos daquele dia adquirem uma espécie de atemporalidade e adentram um processo de recorrência eterna. A remoção do ano traz o episódio para perto de nós e faz com que pareça que tudo aconteceu um minuto atrás. Isso não apenas acentua a manipulação emocional produzida por espetáculos memoriais, mas também nos ajuda, de modo muito conveniente, a esquecer tudo que aconteceu desde então. Deste modo, lembramos os americanos que sofreram e morreram injustamente. Lembramos o heroísmo dos bombeiros de Nova Iorque.

O que não lembramos são os 100.000 civis que morreram mortes violentas no Iraque desde a invasão americana. Também não lembramos os civis (entre 14.000 e 35.000) que morreram até agora no Afeganistão (isso sem falar no incalculável número daqueles deixados feridos, incapacitados, sem filhos, órfãos ou traumatizados nesses dois países). O que não lembramos é o número incontável de inocentes raptados e torturados por soldados americanos desde 11/9 – em Abu Ghraib e Guatanamo, de Bush, e na prisão “super-Guatamano” de Obama na base da Força Aérea em Bagram.

O que não lembramos é que o governo americano investiu 1.078.552.000.000 de dólares (e contando) nessas guerras. É dinheiro dos contribuintes, mas não lembramos o quanto essas guerras estão contribuindo para a crise econômica nos Estados Unidos, aos cortes orçamentários relacionados a casas populares, escolas públicas, rodovias, iluminação pública e serviços sociais. O que não lembramos é que Bush mentiu ao começar essas guerras e que a administração de Obama mentiu quanto a dar um fim a elas.

Portanto, hoje seremos lembrados a “nunca esquecer” os eventos que ocorreram nove anos atrás. Porém o mandato de lembrarmos determinados eventos de determinadas formas, com a exclusão de todo o restante, é na verdade um modo muito poderoso de se produzir o esquecimento em massa.

Os rumores a seu respeito


Desde o momento em que você nasce as pessoas começam a falar sobre você umas com as outras, sem que você tenha acesso direto ao conteúdo do que elas dizem e sem que possa interferir com a mesma liberdade criativa nas concepções que desenvolvem a seu respeito.

Com o tempo, os rumores a seu respeito tornar-se cada vez mais associados a você; quando você chega, o que as pessoas de fato enxergam é uma complexa obra de ficção, uma impressão formada tanto ou mais pelo conjunto total dos rumores a seu respeito quanto pelo que você de fato já disse ou fez.

Somos, cada um de nós, uma obra coletiva.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ficha Limpa: Eu assinei, falta você!

Mônica Othero Nunes por email

Se você cidadão comum, como eu, cometer algum "deslize” seja como pessoa física ou jurídica em qualquer campo de sua vida profissional, amorosa, cívica, logicamente num curto espaço de tempo, será punido seja com multas, penas sócioeducativas, julgamentos e até prisão. “Você vai responder pelos seus possíveis atos ilegais”. Terá que remover o céu até a terra para provar a sua inocência e ter ao seu lado um ótimo advogado. Sem falar no desgaste emocional que vai sentir. No clima péssimo que vai ficar no seu trabalho e família.

Então eu pergunto: por que com o político está sendo diferente?Já foi feito a Campanha FICHA LIMPA com um número expressivo de assinaturas. Agora estão tentando modificar esse Projeto que foi algo diferenciado na democracia do Brasil. Continuam com a "mesma alma lavada e enxaguada”. Estes 242 estão tentando barrar o Projeto Ficha Limpa, influenciando os possíveis ministros do STF que estão em dúvida se é constitucional ou inconstitucional? Como pode isso acontecer?

Você que sente no seu dia todas as situações que precisam de mudanças reais para que possamos de fato usufruir os mesmos direitos e deveres assine mais uma vez petição:

http://www.avaaz.org/po/ficha_limpa_supremo/?vl

Como pode querer que o povo de uma maneira em geral seja ético, honesto, responsável se os representantes não são? Se é permitido concorrer a alguma vaga sendo acusado de corrupto? A demora para julgar casos envolvendo políticos corruptos, a permissão para disputar mais uma eleição mesmo correndo risco no futuro de ser cassado nos mostram o caminho: precisamos dar um basta participando, mobilizando a sociedade.

Está na hora de estudar o passado do seu possível candidato. De escolher com calma, para não ser vitima desses políticos que alimentam a corrupção, impunidade, o acima das Leis. Observe no cenário nacional quem está apoiando quem. Alguns voltaram com força, apoiando quem no passado foi oposição!

Não podemos jogar fora a oportunidade de construção de um novo quadro político no Brasil.

Eu já assinei, falta você!

Monica Othero Nunes

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Se essa rua fosse minha...

Mônica Nunes por email

Quem vem de fora seja para visita familiar, negócios ou trabalho faz a seguinte observação:

" - Patrocínio é uma cidade bonita, ruas planas, tempo estável, gente acolhedora."

Quem aqui reside tende a espalhar:

- Patrocínio não tem nada para se fazer. Está parada no tempo, precisa de muita coisa. A culpa é dos políticos e do povo que elege os mesmos, sem pensar ou se deixa levar.

Entre essas duas considerações existem situações bem diferentes. A de quem passa por aqui independente do motivo e a de quem reside aqui. Não sabemos quantas pessoas vieram de outras cidades nestes últimos anos. A cidade não apresenta nenhum estudo sobre isso mas entendemos que unir essas duas situações seria um grande benefício em todos os aspectos. Se alguém veio transferido devido ao trabalho, comprou "terras”, veio tentar a "sorte”, se aposentou e quis morar numa cidade calma, se casou com alguém daqui, são situações que passam pelo mesmo prisma: moram em Patrocínio e deveriam colaborar para a qualidade de vida.

Alguns anos atrás era normal conhecermos os vizinhos, os donos de estabelecimentos comerciais, os gerentes de banco e até o delegado. Hoje a situação passa: se acontecer de você precisar, você conhece; se não, deixa como está. Cada um na sua.

Se quem aqui reside habitua com conseqüência de “achar” que a culpa é dos políticos, joga-se fora algo construtivo que é o cidadão inserido no dia a dia de onde mora. É como se projetasse no outro a responsabilidade de fazer algo e eliminasse a condição de participar deste processo. Podemos agir como hienas seguindo a reclamar “oh dia oh noite” Podemos adquirir mesmo o comportamento daquele camundongo que para superar a angústia de morrer na boca de algum predador pediu ao mágico para transformá-lo em diferentes animais para escapar da morte. Até que o mágico percebeu que a raiz da angústia estava na falta de atitude e decidiu deixá-lo como camundongo :

- Nada que eu faça por você vai ajudá-lo, porque você tem apenas a coragem de um camundongo.

É preciso coragem para romper com o projeto que nos é imposto. Mas saiba que coragem não é a ausência do medo, é sim, a capacidade de avançar.

Não tem nada mais rico do que a mobilização em torno da mudança de comportamento. Jogar fora fórmulas ultrapassadas que esmagam a capacidade que todos têm de escolher o que querem para sua vida pessoal, familiar, profissional. Para aqueles que "acham" que Patrocínio precisa de muita coisa, que tal começar a se organizar na rua em que mora? Que tal buscar o vereador que você votou e pedir explicação por que ainda não foi feito algo primordial no bairro que você mora? Diante do pedido de voto para algum candidato daqui ou de fora, fixe olho no olho, sinta o compromisso com as causas coletivas e não com a permanência no poder, jogo de vaidades, poderio financeiro, o favorecimento de cargos, o ganho com obras públicas.

Ou você acha que esse dinheiro usado na campanha vem do bolso do candidato?

Os políticos embora sejam os representantes eleitos pelo povo, podem, graças à escolha de cada um, perder ou ganhar a condição de representante. O voto é apenas um mecanismo no processo democrático. A situação vai mudar quando todos começarem a "se intrometer” em situações que interferem no dia-a-dia.

- Por que não sinto segurança no bairro que moro?
- Por que tenho que esperar para conseguir vaga para cirurgia?
- Por que trabalhei tanto e ainda tenho que provar que estou doente para aposentar, passando por inúmeras perícias?
- Por que essa obra custa esse valor?
- Por que demitiram aquela diretora?
- Por que pago tantos impostos?
- Por que até hoje não fui selecionado para o programa habitacional?
- Por que meus filhos sofrem com a discriminação?
- Por que em pouco tempo um político dobra seu patrimônio?
- Por que é tão fácil financiar a compra de um veículo?

É preciso, antes de culpar os políticos e o povo, entender o que é hoje a política e o povo no Brasil. Dizer que o povo "não sabe votar” somente reproduz o preconceito autoritário e elitista. A verdade é que os políticos continuam no poder com paralelos distorcidos, manipulação voltada para causas próprias por que nós, enquanto sociedade e eleitores, não acreditamos que podemos mudar este quadro. A conscientização política deve começar dentro de casa, o tempo todo, não apenas em ano eleitoral, uma vez que nossa escolha levará ao nosso objetivo.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A arte de ser simples

Paulo Brabo

As coisas simples são sempre as mais difíceis.

A arte de ser simples é a mais elevada, e do mesmo modo aceitar-se a si mesmo é a essência do problema moral e o cerne de toda uma visão de mundo. Que eu alimente um mendigo, que perdoe uma ofensa, que ame um inimigo em nome de Cristo, são todas sem dúvida grandes virtudes. Aquilo que faço ao menor de meus irmãos estou fazendo a Cristo.

Mas e se eu acabar descobrindo que o menor de todos, o mais pobre dos mendigos, o mais acusado de todos os ofensores e o próprio grande adversário residem dentro de mim, e que eu mesmo careço de minha própria bondade? Que sou eu mesmo o inimigo que deve ser amado? E então?

Portanto, regra geral, toda a verdade do cristianismo é revertida, e não se aplica qualquer discurso de amor e longanimidade. Dizemos ao irmão dentro de nós: “Raca!” e infligimos condenação e fúria sobre nós mesmos. Escondemos do mundo o irmão interior, negamos ter jamais conhecido esse menor dos menores dentro de nós, e se o próprio Deus se aproximasse de nós nessa forma desprezível – a nossa forma – teríamo-lo negado mil vezes antes que cantasse um único galo.

Carl Jung
em Psicoterapeutas ou o clero

sábado, 28 de agosto de 2010

Ações e exemplos de gente que faz e promove o bem no Brasil


Projeto Generosidade

O que é o projeto?

O Projeto Generosidade reúne todas as revistas da Editora Globo em torno de uma causa pioneira na mídia brasileira: revelar e repercutir ações e exemplos de gente que faz e promove o bem no Brasil.

Esta é quarta edição do projeto, que no ano passado divulgou durante sete meses histórias inspiradoras e estabeleceu uma doação para a instituição escolhida como a mais relevante entre as ações solidárias divulgadas. O projeto foi tão bem-sucedido nas três edições anteriores que será repetido este ano, com a parceria das seguintes instituições: Bradesco, Chevrolet e Ambev.

Durante os próximos seis meses, de maio a outubro de 2010, voltaremos a publicar em nossas revistas reportagens, depoimentos, colunas e artigos sobre pessoas e entidades que doam seu tempo, trabalho, dinheiro e amor para ajudar alguém. Os leitores estão novamente convidados a participar enviando seus testemunhos e relatos por meio do site até 30 de setembro. São iniciativas generosas e corajosas, gestos que, estamos certos, devem inspirar mais gente a fazer o bem em nosso país.
Sua história pode receber R$ 200 mil

Todas as matérias do Projeto Generosidade publicadas pelas revistas da Editora Globo estarão na íntegra no site do projeto. Todas as histórias enviadas ao site e as publicadas nas revistas participarão da seleção do melhor projeto de ação social, que ficará a cargo de um júri que será formado por convidados e parceiros da Editora Globo. Ao final do Projeto Generosidade, o escolhido receberá um incentivo no valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), para ser integralmente investido na ação.

Como funciona
A escolha do melhor projeto será norteada pelos seguintes critérios: clareza e relevância dos objetivos, capacidade de realização, impacto comprovado sobre o público-alvo, capacidade de articulação com outros parceiros da sociedade e com o poder público e impacto da doação sobre a realização e a ampliação das metas do projeto.

A equipe editorial da Editora Globo fará uma pré-seleção das melhores ações, que serão depois submetidas ao nosso júri. O projeto escolhido será divulgado em dezembro.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Nem Freud Explica


Mulheres Sim Senhor

Você não precisa se considerar uma feminista ,abordando o velho tema igualdade de direitos ,para saber que ainda estamos reproduzindo os mesmos tratamentos dispensados a condição de mulher .

Quando você escuta de um homem, empresário de suce$$o a seguinte pergunta:

- "Você acha que o Brasil vai eleger uma mulher para Presidente? Que ela vai dar conta?"

Tantos homens já foram escolhidos sem essa preocupação de dar conta!

Aqui reside a desigualdade no pensamento que afetará a decisão na escolha. Este empresário poderia sim contribuir a começar dentro da Empresa com discussões sobre o perfil do candidato, história e não taxar a situação no simples fato se vai ou não dar conta. Nós mulheres precisamos parar de apoiar estes preconceitos, uma vez que somos as primeiras a vivenciarem situações de desigualdade.

Somos mais de 70 milhões de eleitoras.

Um universo grandioso que deve pode provocar mudanças.

A grande parte deve ainda estar em dúvida se vota em mulher ou não.

A nossa participação é decisiva podendo gerar as mudanças necessárias em áreas relacionadas a

violência,

discriminação,

saúde,

educação.

“Por seis votos a um, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiram, na noite de ontem, que os partidos e coligações serão obrigados a cumprir a exigência fixada por lei de registrar uma cota mínima de 30% de mulheres dentre os candidatos inscritos para a disputa das eleições proporcionais. Segundo o tribunal, caso a legenda não tenha atingido o percentual, terá de inscrever novos candidatos do sexo feminino ou retirar o registro de candidaturas masculinas. O entendimento do TSE contraria a interpretação dada pela maioria dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) do país, que ignoraram a norma, estabelecida no fim do ano passado pela minirreforma eleitoral. Os partidos argumentam que, em muitos casos, não conseguem encontrar número suficiente de candidatas mulheres para preencher a cota."
(http://www.cfemea.org.br/noticias/detalhes.asp?IDNoticia=1141)

Infelizmente, ainda existem muitas mulheres mais preocupadas em como agradar seus parceiros, qual dieta seguir, se faz ou não lipo, se muda a cor do cabelo, se viaja até Nova York, se usa óculos ou lentes, se faz tatoo, se clareia os dentes, se paga no débito ou no crédito,

do que se vota ou não em mulheres .

A não compreensão da importância de escolhermos e acreditarmos cada vez nas mulheres continuará repercutindo na vida das próprias mulheres em todas as faixas de idade, etnias, estados civis, escolaridade.

Isso nem Freud explica !